quarta-feira, 2 de maio de 2018

Preocupante realidade



Por Marcos Niemeyer
bcmniemeyer@gmail.com
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>> Se por um lado o avanço da tecnologia traz inúmeros benefícios para a humanidade, por outro, prejudica implacavelmente profissionais dos mais diversos segmentos — praticamente tirando o pão da boca de quem precisa. No caso dos locutores e narradores de OFF, além de dubladores (onde só a voz aparece), o laço vai estreitando-se cada vez mais. Grandes e até médias empresas, incluindo estúdios profissionais, estão evitando os tradicionais "speakers".

Com uma simples voz, até mesmo de quem nunca atuou frente ao microfone, criam um robô para atender centenas de pessoas dos mais diferentes pontos do país e do mundo em curto espaço de tempo. É o caso do cearense "Ronaldo", que conversa diariamente com cerca de quatrocentos humanos diretamente da central de atendimento em que atua, em Fortaleza.

Extrovertida, a coisa liga para os clientes da Sky no Nordeste que estão com fatura atrasada e fala de maneira objetiva. Confesso, com toda sinceridade, que minha porção saudosista sente cada vez mais falta do tempo em que os Lobisomens & as Mulas sem Cabeça bordejavam em nossas portas nas noites de lua cheia.

Recentemente, por exemplo, contamos aqui um facto dessa natureza ocorrido lá pelas bandas de Tarumirim, pequena cidade localizada no Leste mineiro, onde moram os pais da Selma Quintão, produtora do nosso programa, o Momento MPB.

Dona Luzia Quintão, 78 anos, a matriarca da família, narrou que lá por volta dos anos sessenta, numa noite fria de São João, uma Mula sem Cabeça invadiu o local na tentativa de raptar uma criança recém-nascida. Escorraçado aos gritos pelos moradores, o bicho saiu em disparada pra dentro da mata mais próxima.

Antes, porém, aplicou violento coice na porta da casa de uma vizinha. "A marca do coice tá lá até hoje", garante Dona Luzia. Sem dúvida, se de mim dependesse, eu cá trocaria tudo o que há de modernoso pelos bichos de outrora: Mula sem Cabeça, Lobisomem, Saci-Pererê, Caboclinho D'água e outros do mesmo gênero.

DETALHE IMPORTANTE 

Aprendemos desde a infância que nomes próprios devem ser escritos com iniciais maiúsculas. Também está escrito no Formulário Ortográfico que devemos escrever com iniciais maiúsculas os nomes de seres mitológicos, o que é uma redundância, pois esses nomes são próprios e estão incluídos na regra maior dos nomes próprios. Apesar disso, estranhamente, alguns gramáticos recomendam que se escreva os nomes de entidades do folclore brasileiro em minúsculas.

Quer dizer: o nome dos seres da mitologia grega se escreve com iniciais maiúsculas (Minotauro, Cérbero, Esfinge, etc). Mas os coitados do Saci-Pererê, Lobisomem, Mula sem Cabeça e outros menos cotados, pertencem a uma mitologia das classes baixas de um país subdesenvolvido e por isso não merecem a deferência de uma inicial maiúscula. De minha parte, continuarei escrevinhando o nome desses indefectíveis bichos do folclore brasileiro com letras maiúsculas.
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terça-feira, 24 de abril de 2018

Geraldo Pereira: há 100 nascia em Juiz de Fora esse importante nome da MPB


Por Marcos Niemeyer
bcmniemeyer@gmail.com


>> Se vivo estivesse, o compositor juiz-forano Geraldo Pereira teria completado 100 anos nesta segunda-feira (23). A herança musical do artista, nascido em 1918, em Torreões, bairro/distrito da cidade, é parte indelével da estrutura do samba (ele foi o criador do samba-sincopado) e da Bossa Nova.

João Gilberto, criador do mais importante movimento da música brasileira, tinha em Geraldo Pereira um ídolo declarado. De vida desregrada, Geraldo morreu novo e pobre, aos 37 anos, durante uma briga com o travesti Madame Satã, na Lapa, bairro boêmio carioca, que aplicou violento soco no pescoço da vítima. Ao cair e bater com a cabeça no chão, o compositor teve forte hemorragia e não resistiu.

"Falsa baiana", "Escurinho", "Golpe errado", "Bolinha de papel", "Pisei num despacho" e "Acertei no milhar" são algumas de suas principais composições gravadas por grandes nomes da MPB — a exemplo de João Gilberto, Gal Costa, Chico Buarque, Quarteto em Cy, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Cristina Buarque, Moreira da Silva, Zizi Possi e Jackson do Pandeiro.

Na cidade em que Geraldo Pereira nasceu há pouca ou nenhuma referência sobre ele. Apenas na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), uma sala de música tem o nome do artista. Um jornal local mostrou em sua edição do último domingo (20), a casa em que Geraldo teria morado até doze anos de idade quando sua mãe, uma parteira e benzedeira, teria levado o menino para o Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro.

A suposta residência fica no número oito, da Rua Três Ilhas, em Santa Luzia, na periferia de Juiz de Fora. A área é uma vila de casas preservadas. Em Torrões, bairro onde Geraldo Pereira nasceu, houve roda de samba e apresentações diversas em sua homenagem na tarde do último sábado (21).

A Rádio Batuta, do Instituto Moreira Sales, lançou uma série de dez podcasts em homenagem ao centenário de Geraldo Pereira, com comentários e pesquisa de Pedro Paulo Malta e Rodrigo Alzuguir. O primeiro capítulo relata as origens: “De Juiz de Fora à Mangueira”. Clique aqui para ouvir os especiais.
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terça-feira, 3 de abril de 2018

O melancólico fim da era radiofônica


Por Marcos Niemeyer
bcmniemeyer@gmail.com


>> A Noruega é o primeiro país a abandonar as transmissões de rádio FM objetivando se tornar totalmente digital. O desligamento teve início no ano passado em algumas cidades próximas ao Círculo Polar Ártico e caminha a passos largos para cobrir toda a nação nos próximos meses. Suécia e Dinamarca são outros países que pretendem acabar com o FM. 

No Brasil, a "guilhotina"ainda deve demorar alguns anos para ser colocada em prática. Nas mais diversas cidades brasileiras, porém, onde o rádio AM já está praticamente "sepultado", as FMs demitem e atuam com um número cada vez mais reduzido de funcionários. 

Algumas fecharam definitivamente as portas nos últimos três anos. É o caso da MPB, Nativa e Cidade, do Rio de Janeiro, Estadão (92,9), de São Paulo e Guarani, de Belo Horizonte. Até o final deste ano, outras dezenas de FMs devem sair de cena nos mais diferentes pontos do país. 

Um dos motivos de toda essa mudança radical é a popularização da internet e seus dispositivos móveis, onde qualquer pessoa pode escolher o que bem quer ouvir e no momento que achar mais conveniente. 

Com isso, as verbas publicitárias destinadas ao sistema radiofônico são cada vez menores e as concessões públicas para esse tipo de organização fazem cada vez menos diferença. Bons e saudosos tempos quando o rádio, até mais que o cachorro, era considerado o "amigo de todas as horas". 
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CACHORRO DE POBRE NÃO TEM VEZ 



No abominável programa de TV apresentado por um colunista social em Juiz de Fora onde os bacanas fazem questão de mostrar seus carrões de luxo, mansões cinematográficas, viagens suntuosas & o carayo a quatro, o baba-ovo do apresentador perguntou pra uma madame modernosa o que ela fazia pra deixar seu cãozinho tão bonito. "Olha amor, invisto mensalmente quase dois mil reais no meu pet com ração importada, veterinário, pedicure e babá pra passear com ele num carro exclusivo", respostou a perua. E o mais agravante: a TV onde a cena se passa tem o nome de "Educativa".
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quinta-feira, 22 de março de 2018

O phodástico radialista Perereca


Por Marcos Niemeyer
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>> Na cidade mineira de Nanuque, localizada próximo à divisa com o Extremo Sul da Bahia, um radialista por nome de José Agripino Cipriano, popularmente conhecido pela alcunha de "Perereca", era a sensação no início dos anos setenta nas ondas radiofônicas do município. 

Simples e divertido, Perereca apresentava diariamente um programa matinal na finada Rádio Difusora de Nanuque, o "Show do Perereca", onde tocava boas músicas caipiras em seu mais autêntico estilo, recebia os velhos sanfoneiros da região pra dar uma canja ao vivo, contava piadas, lia cartinhas dos ouvintes, atendia imploranças diversas dos menos favorecidos pela sorte com a distribuição de medicamentos, roupas e alimentos que conseguia com os patrocinadores ou através da caridade proporcionada pelo público mais abonado, botava a boca no trombone contra os políticos desonestos (naquela época já havia), etc.

O radialista andava mais que cachorro vira-lata sem dono montado numa velha bicicleta Husqvarna, de 1925, herdada de seu velho pai, um jagunço nordestino mais bravo que galinha choca. Apesar de não ser bonito, Perereca fazia o estilo "galã de cinema" das antigas.

Tinha os cabelos cheios e bem penteados com brilhantina, só vestia calça branca social Gabardine engomada, camisa "Volta ao mundo", sapatos Vulcabras impecavelmente engraxados e uma "capanga" — espécie de bolsa pra guardar os pertences — que os cabras daquela época possuíam. Com seus quarenta anos de idade na cacunda e ainda solteiro, porque achava que casamento tira a liberdade daqueles que resolvem juntar os panos de bunda, não tinha uma ouvinte sequer que o distinto não namorasse.

Seu vozeirão trovejante deixava a mulherada sonhando acordada e babando de desejos aqui impublicáveis. "Só num me apetece muié casada, sô! Aí é trem perigoso demais da conta, uai", dizia com seu largo sorriso e a dentadura foleada a ouro saltitando na gengiva. Certo dia, Perereca conheceu uma jovem donzela recém-chegada à cidade.

Os dois se desembestaram num namoro às escondidas das retinas alheias, principalmente dos pais da moça. Poucos meses depois, a menina, de apenas 16 anos, apareceu grávida. Lugar pequeno e ainda mais naquela época, o falatório foi geral. Todo mundo queria saber quem havia deflorado tão bonita cabrocha.

Chocados diante do fato, os pais da garota decidiram "apertar" a filha pra descobrir o nome do fedazunha responsável por aquela desgraceira. "Foi o Perereca, mas eu amo ele!", respostou chorando a adolescente. Nesse meio tempo, o come quieto já havia tratado de abandonar a cidade e fugir sem mais delongas lá pras bandas de Teixeira de Freitas, na Bahia, que na época ainda era um desconhecido lugarejo, distrito de Alcobaça.

Vaqueiro destemido e em nome da honra da família, o pai da moça arrumou uma turma de amigos e foi atrás do Perereca. Armaram uma emboscada com a intenção de antecipar a ida do dito-cujo pru andar de cima. Mas o radialista tinha mudado de cara e profissão e agora estaria atuando como funcionário de uma funerária na localidade.

Era véspera da noite de São João e o pai da mocinha, cuspindo marimbondo pelo escutador de novela, acendeu uma fogueira na única praça pública do lugar com o auxílio de seus capangas. O bando saiu de porta em porta convidando o povo pra "comemorar" a data. A intenção, porém, era que o Perereca também aparecesse por lá, pois seria queimado vivo no fogaréu.

Estabeleceu-se uma festança naquela noite. E, eis que repentinamente, vem de lá um indivíduo de voz empostada, todo bonitoso e montado numa bicicleta enferrujada. Achando que era o tal do Perereca, o vaqueiro e seus homens partiram pra cima daquela excêntrica figura cobrindo-lhe de porrada.

Ato contínuo amarraram o coitado com corda de fazer cabresto e já iam assá-lo na fogueira quando, diante dos gritos de "pelo amor de Deus", uma viatura da PM baiana que passava pelo local parou pra ver que confusão medonha era aquela. Por pouco os vaqueiros não cometem o assassinato de um inocente com extremos requintes de crueldade.

Mas não era o Perereca que estava ali. Apenas um trabalhador da zona rural parecido com ele. Como o local ainda era uma terra sem lei, nada aconteceu com os vingadores, que voltaram pra Nanuque sem botar seu "modus operandi" em prática. Ou seja, jogar o radialista vivo na fogueira com a intenção de vingar a jovem deflorada. Depois desse dia, ninguém jamais soube do paradeiro do Perereca.
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A DERRAPADA DO "VIBRANTE" 

Durante a transmissão do Jogo Tupi e Cruzeiro, na noite da última quarta-feira (21), em Juiz de Fora, partida válida pelas semifinais do Campeonato Mineiro, o veterano narrador esportivo da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte, Alberto Rodrigues — o "Vibrante", se enrolou todo quando tentava pronunciar a oferta de um aparelho de televisão "Smart TV Full HD" vendido pela Ricardo Eletro. Foi "socorrido" descontraidamente por um dos repórteres da emissora. Confira:

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quarta-feira, 14 de março de 2018

O 'Conto do Amor'


Por Marcos Niemeyer
bcmniemeyer@gmail.com


>> Uma moradora da cidade baiana de Alagoinhas, a cerca de 120 quilômetros de Salvador, caiu no "Golpe do amor", modalidade criminosa que tem crescido nesses últimos tempos diante da popularização das redes sociais. A mulher, que pediu para não ter a identidade revelada, contou ao site "Luciano Reis Notícias", que conheceu o golpista através de um site de relacionamentos e com ele passou a manter frequentes contatos.

Conversa vai, conversa vem e já com a distinta "cega de amor", o cabra pediu pra que a mesma depositasse "emprestado" a quantia de dois mil reais em sua conta, já que com o dinheiro pegaria um voo em São Paulo, onde disse que morava e viajaria até a Bahia, pois seu sonho era "conhecê-la pessoalmente".

Para convencer a mulher, o bandido disse que trabalhava numa plataforma de petróleo em alto-mar, mas que no momento estava desempregado. Acreditando na conversa, a mulher que é pensionista, depositou o dinheiro na conta do falsário. Combinaram, então, o encontro.

"Vou pegar o avião aqui e em instantes chego aí na Bahia", disse o pilantra na mensagem pela internet. Achando que finalmente tinha encontrado o seu "príncipe encantado", a sonhadora foi ao salão de beleza e deu uma investida no visual, botou o melhor e mais bonito vestido rendado que possuía, perfumou-se da cabeça aos pés e partiu ansiosa na noite do último domingo (11), em direção ao Aeroporto Internacional de Salvador pra aguardar a suposta chegada do homem.

Desce avião, sobe avião e nada do sujeito, que dizia estar "gamado" por ela, dar as caras. Desesperada, a dona ligou pro celular do infeliz, enviou mensagens nos e-mails e WhatsApp e nenhum um sinal do dito-cujo. Ato contínuo, resolveu dar um play no desconfiômetro percebendo que tinha caído numa cilada."Espero que outras mulheres evitem esse tipo de relacionamento pela internet", desabafou a vítima desconsolada ao Luciano Reis Notícias.
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RICARDÃO ENTRA EM CENA & PIRA A CUCA DE NAMORADO APAIXONADO

Num programa de FM na chuvosa e invernosa Juiz de Fora, onde um psicólogo esclarece dúvidas de ouvintes sobre diversos temas que afligem a cuca, um cabra ligou apavorado dizendo que soube através de "fontes seguras" que havia sido traído pela namorada durante uma viagem a trabalho onde ficou três meses longe da distinta.

"Ela mesma confessou e disse que fez até sexo anal com o amante, Doutor! Eu, ela nunca deixou nem chegar perto da coisa. Tô perdido, sem saber que rumo tomo. O pior é que eu amo a cachorra", desabafou. Após uma série de argumentações acadêmicas e científicas (que ninguém entendeu bulufas), finalmente o especialista disse sem mais delongas que "todos nós corremos o risco das traições. Com maior ou menor grau de intensidade".

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