quinta-feira, 26 de abril de 2012

"Ligua a cobra meo bei"


>> Se os amores ideais são cada vez mais difíceis, o que pode se esperar dos improvisos e rolos amorosos? NBS, 39 anos, segundo grau completo, possui carteira de habilitação e se destaca entre as demais de seu perfil sócio-econômico-cultural por conta da atraente aparência física (o corpinho esguio é de boneca).

Tem espírito de luta, sempre gostou de trabalhar. Sua atividade profissional exige disposição e paciência franciscana para enfrentar o trânsito caótico de uma cidade efervescente.

Namoradeira, conheceu há cerca de dois anos LGZ, algumas primaveras mais novo. Apesar de simplório e com pouca escolaridade, o rapaz caiu nas graças da antílope “emergente”.

Romancearam várias vezes, mas nunca haviam se firmado sob o mesmo teto. Resolveram, então, juntar os panos: “Vamos ser felizes até que a morte nos separe”, cochicharam no escutador de novela um do outro.

De início tudo parecia um mar de rosas. Ele sempre conformado, sem nada contestar, acreditava levar a vida que pediu ao Padim Padi Ciço, maior milagreiro do torrão cearense. Ela, por sua vez, crítica e inconformada com o andar da carruagem resolveu soltar o verbo:

– Gosto dele, amo ele, mas não me vejo satisfeita. Oh, espelho meu... que duvida cruel! Quero alguém que me complete. Inclusive, principalmente, do ponto de vista sexual. Isso sem levar em conta a mensagem que o distinto me mandou pelo celular: “Meo bei esta cem credito mi ligua a cobra.”

A correção
Meu bem; está sem crédito? Me liga a cobrar.

Moral da história
Os melhores perfumes estão nos menores frascos. Se o rapaz tem dificuldade em se expressar mas gosta dela, seria interessante oferecer-lhe mais uma chance e incentivá-lo a ler, mandá-lo de volta à escola ou matriculá-lo no Curso de Português do professor Ilvece Cunha, assíduo leitor do Cacarejada Virtual.

Caso o mesmo resista e ache que trata-se de um desafio expiatório, que tal presenteá-lo com cartilhas contendo o ABC e o A E I O U? Se nada disso minimizar a questão, não desista: ajoelhou... tem que rezar. Nenguém é perfeitu, errá é umanu. O imperdoável é persistir na dissonância.

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