domingo, 15 de abril de 2012

Restaurante Guanabara é tradição mineira


  
Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com



>> Com sessenta anos de tradição o Restaurante Guanabara, localizado no centro de Governador Valadares, no Leste mineiro, tem na simplicidade, no estilo retrô e sobretudo na culinária suas principais características. Funcionando praticamente 24 horas por dia, inclusive aos domingos e feriados, é um dos pontos de referência para notívagos, boêmios e o público em geral.

Os principais pratos da casa são o delicioso bife à parmegiana, o famoso mexidão, uma canja pra ninguém botar defeito e o inigualável frango à passarinho.

Quem preferir pode solicitar por telefone. A entrega é feita por motoqueiros em qualquer parte da cidade, mesmo durante a madrugada. O estabelecimento nunca foi multado ou advertido pela Vigilância Sanitária.

Há também tira-gostos diversos e todo tipo de bebida, inclusive, uma pura diretamente do alambique. “Este respeitável ambiente tem também a cerveja mais gelada que já tomei na vida”, garante o comerciante Jota Martins Batista, assíduo frequentador do local.

Os que chegam são recebidos com cortesia e sempre encontram lugar disponível entre as diversas mesas espalhadas pelo vasto salão. Uma TV de plasma pendurada na parede a mostrar programas popularescos é o único ponto negativo por nós observado. Se instalassem um som ambiente com músicas agradáveis, os tímpanos mais sensíveis agradeceriam.

Os funcionários do restaurante são atenciosos e educados. O destaque fica por conta dos garçons Antônio Pereira, o Toninho Peão, 63 anos e Antônio Coelho de Amorim, o Ceará, 53 anos (foto).

Tudo perto

Edificado na confluência das ruas Caio Martins e Euzébio Cabral, o Restaurante Guanabara possui localização estratégica na área central da cidade. Fica a poucos metros do Mercado Municipal e não distante das estações rodoviária e ferroviária.

Em seu entorno existe farto comércio: farmácias, padarias, lanchonetes, botecos, lojas, oficinas mecânicas, supermercados, agências bancárias, etc. Apesar de bem policiada, a área costuma apresentar problemas no aspecto segurança. Vizinhos denunciam a existência de bocas de fumo nas adjacências.

A proximidade geográfica com a antiga Zona Boêmia e o infame orresmo – o mais vil recôndito da prostituição na cidade – fez com que a casa tivesse fama de "maldita" durante vários. Mas tal realidade tem mudado a partir da progressiva extinção do meretrício e a revitalização do setor com a chegada de novos empreendimentos comerciais e a crescente especulação imobiliária.

ESPAÇO DEMOCRÁTICO

Desde o bêbado pé de chinelo, a prostituta que roda bolsinha à espera do próximo freguês, figuras espalhafatosas que surgem como coelhos tirados da cartola de um mágico, desocupados ou pessoas abastadas oriundas de pontos distintos da cidade, todos parecem se entender.

 A legião de frequentadores inclui ainda policiais civis e militares, motoristas de táxi, jornalistas, radialistas, políticos e profissionais das mais diferentes atividades que fizeram do Guanabara ponto de integração de todas as classes sociais na madrugada.

“Aqui todos são bem recebidos. Não discriminamos ninguém por conta das cifras que tem na carteira ou pela aparência. A única coisa que não abrimos mão é da ordem estabelecida. Se o sujeito não respeitar o ambiente aí colocamos pra fora”, revela Alisson Fonseca do Amaral que ao lado do seu irmão, Alexandre Fonseca do Amaral administra a casa fundada em 1960 pelo pai Alexandre Fonseca do Amaral.

O DIA JÁ VEM RAIANDO, MI CORAZÓN

Os sinais da chegada de um novo dia já começam a aparecer com o clarão despontando no horizonte. Casais apaixonados trocam olhares insinuantes nas mesas mais escondidas enquanto um casal de cães faz prolongada sessão "Kama Sutra" do outro lado da rua. Toda forma de amor vale a pena.

Sem prestar atenção nos animais, alguém dedilha no violão o bolero “Dois prá lá, dois prá cá”, do compositor mineiro João Bosco e imortalizado na voz de Elis Regina. Cinco e quinze da matina e todos estão exaustos. É hora de ir embora. Daqui a pouco, às seis, as portas são fechadas e a reabrem poucas horas depois. Afinal, o tempo é implacável e absoluto.

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