segunda-feira, 25 de junho de 2012

A mais "carioca" das cidades mineiras


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
Acompanhe-nos também no Facebook. Clique aqui:

>> A cidade de Juiz de Fora tem custo de vida altíssimo, muito embora seja industrializada e apresente boa qualidade de vida. Vejam alguns exemplos:

PF: 6 reais e 50 centavos no boteco mais sujo da cidade.
Marmitex: 8 reais.
Salgado: (quibe, pastel, coxinha, etc) 2 reais.
Cafezinho: 80 centavos  a 1 real.
Corte de cabelo mal feito: 10 reais.
Urinar em qualquer mictório que não seja sua própria casa: 1 real. (Se defecar paga mais caro).
Buzão: até esqueci de ver o preço. Mas ouvimos dizer que passa de 2 reais.
Diária no hotel mais catinguento: 30 mirréis.

E por incrível que pareça, a cidade ainda não dispõe de um restaurante popular subsidiado pelo Governo Federal e contrapartida da prefeitura a exemplo do que ocorre nos grandes centros urbanos. Fala-se que o equipamento será inaugurado no início de julho, no calçadão da Rua Halfed, no centro da sede.

O que assusta, desde já, é o preço anunciado pela refeição. Enquanto em qualquer município que dispõe de uma unidade alimentícia idêntica o valor não passa de 1 ou 2 reais, em Juiz de Fora acredita-se que o preço do bandejão será de (pasmem!) 3 reais e 85 centavos.

Aqui, até as prostitutas cobram o dobro pelo "serviço" prestado. Vejam o que encontramos nos classificados de um jornal da cidade. "Pat, 19 aninhos, bb grande, anal, oral, seios macios, boca carnuda, sedução total. Realizo todas as suas fantasias. 150 reais a hora."

E um leitor desta página mandou avisar: "Eu fico muito puto da vida por essas pessoas de Juiz de Fora tagarelarem que nós de Belo Horizonte somos da roça. Esses porra loca acham que são cariocas. Para falar de alguém tem que ser bem superior. Quando se fala em Minas Gerais, a primeira coisa que vem a cabeça é Belo Horizonte e logo em seguida as cidades históricas e talvez, depois, a bem distante e caquética Juiz de Fora."

Por outro lado... 

Descobrimos uma moradora de rua que toca piano, conhece partituras de música erudita e fala inglês fluente. Ela circula diariamente pela movimentada região central de Juiz de Fora. Morena clara, magra e levemente curvilínea, tem os cabelos vassourados e um semblante de sofrimento imposto pelo destino.

Não revela a identidade, diz ter 36 anos, muito embora aparente cinquenta primaveras. Foi num antiquário próximo à Praça da Estação, no centro da cidade, que a mulher dedilhou um piano antigo da marca Romhildt Weimer  tirando dali notas de Bach, Beethoven e Chopin, a ponto de arrancar aplausos da plateia.

"Obrigada pela gentileza. Sempre gostei das boas coisas da vida. Não sei porque estou aqui. Só sei que tudo na vida é passageiro", sentenciou de maneira clássica em dois idiomas.

Uma senhora bem vestida que assistia aquele inusitado espetáculo disse que sentiu-se envergonhada. "Mal sei falar o português e aquela inacreditável figura dá demonstração de bom nível cultural e ainda ataca de bilíngue."

Diversas pessoas presentes dedidiram fazer uma "vaquinha" para a protagonista do espetáculo. "Thank very much. I only ask you not to film or take photos", esbanjou o inglês novamente.

Ela pediu que ninguém filmasse ou fizesse fotografias de sua performance. O desejo foi respeitado. Passava das sete daquela fria noite de céu claro. O termômetro no alto de um edifício avisava que fazia 17 graus naquele momento.

Cada um procurou rumo diferente. A mulher deixou o piano e sentou-se no banco da praça enrolada na coberta que ganhou nas andanças pelas sombrias esquinas de sua vida.

Cursos Online na Área de Meio Ambiente