terça-feira, 17 de julho de 2012

Casas da Banha


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Quando fui ao Rio de Janeiro pela primeira vez, em 1968, meu sonho era conhecer de imediato não o Corcovado, o Pão de Açúcar ou as praias da Zona Sul. O que eu mais queria, naquela fase tão boa da minha infância, era ver de perto as Casas da Banha, famosa rede de supermercados da época.

Meu pai me levou até o Porcão da Avenida Brasil, a maior de todas as lojas, num período onde os grandes hipermercados eram raros no país. Fiquei maravilhado diante da imensa variedade de produtos disponíveis nas dezenas de gôndolas espalhadas pelo interior do estabelecimento.

Na sua melhor fase, em meados dos anos 80, a empresa contava com 230 lojas no país, onde trabalhavam 18 mil empregados. O faturamento anual ultrapassava US$ 700 milhões. Depois de um longo processo de decadência, a empresa acabou por decretar falência em 1999.

Segundo a Wikipédia, há pouco mais de uma década seus antigos 5 donos, a família Velloso, decidiram ressuscitá-la. Desta vez, porém, apenas virtualmente. Os Velloso fizeram um acordo com a GW.Commerce, de Belo Horizonte, empresa que desenvolve programas para supermercados virtuais.

Em troca de uma remuneração sobre o faturamento, A GW gerenciaria as vendas para a família Velloso. Uma pesquisa feita esta semana por nossa produção na internet, porém, não encontrou nada que demonstrasse a força desta parceria virtual.

As Casas da Banha patrocinavam o programa Cassino do Chacrinha na TV Tupi, Canal 6, do Rio de Janeiro, onde o velho guerreiro jogava para o público alimentos, como bacalhau e pepinos. Quando o bacalhau encalhou no grande supermercado, Chacrinha arrumou um jeito de reverter a situação.

Durante o espetáculo, virava-se para o auditório: "Vocês querem bacalhau?" A plateia disputava a tapa o produto. As vendas explodiram e ele explicou: "Brasileiro adora ganhar um presentinho".

A lendária rede de supermercados é  mencionada na canção Tu és o MDC da Minha Vida, do cantor e compositor Raul Seixas, no trecho: "… não posso sentir cheiro de lasanha, me lembro logo das Casas da Banha, onde íamos nos divertir…"

Outro grande atrativo da empresa era o comercial que passava nos intervalos dos filmes e novelas da TV Tupi: o impagável desenho de alegres porquinhos dançando e anunciando as ofertas do dia.


Tem fatos que a a memória não esquece. Lembrar da época de criança é voltar no túnel do tempo quando não havia tanta violência, incertezas, preocupações e o consumo desenfreado da vida modernosa.

Sem contar que a televisão, diferentemente dos dias atuais, era apenas uma forma de entretenimento. Até os comerciais tinham genuinidade e respeito ao consumidor. Os porquinhos das Casas da Banha eram um clássico exemplo.