segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A MPB em forma de poesia


Por Christiane Medeiros
christianemedeiros12@gmail.com


>> Poeta, compositor, cantor, escritor, produtor musical e arquiteto. Paulinho Tapajós é o único ídolo com estrelas nos olhos e um jeito de herói.  Filho do compositor, cantor e radialista Paulo Tapajós e irmão do compositor Maurício Tapajós e da cantora Dorinha Tapajós, o artista figura na lista dos principais nomes da MPB.

Autor das mais lindas melodias já  compostas no Brasil - entre as quais "Sapato velho", "Andança" e "Cantiga por Luciana", Tapajós tem uma obra  artística cantada em versos e prosas por grandes intérpretes da nossa música.

Nana Caymmi, Elis Regina, Beth Carvalho, Maysa, Nara Leão  e o grupo Roupa Nova, são alguns dos que gravaram composições de sua autoria. Entrevistá-lo é uma imensa satisfação, algo que me deixa tão feliz quanto ouvir a suavidade das letras que este magistral poeta consegue sintetizar falando do amor, da natureza e de tudo mais que tiver a essência da poesia.

Gostaria de agradecer o carinho com que Paulinho Tapajós me concedeu essa entrevista. E que em 2013 ele continue a nos brindar com novas e maravilhosas canções. Como aquelas que sempre me fizeram e ainda fazem sonhar.

Você tem raízes sólidas que atravessam gerações. Poucos artistas brasileiros podem se dar a esse luxo.
Eu só tenho a agradecer por ter tido essa sorte.

Suas canções são recheadas de versos simples, porém, poéticos e de uma profunda densidade. Qual o segredo para  compor de maneira tão  sublime?
Não há nenhum segredo, apenas o prazer de compor,em sintonia com suas idéias e seu coração.

Grandes intérpretes da MPB - a exemplo de Elis Regina, Beth Carvalho, Quarteto e em Cy  tiveram o privilégio em gravar composições de sua autoria. Alguns outros, em especial, que você gostaria de ouvir cantando tantas preciosidades?
A quantidade de intérpretes que admiro é muito grande, não caberia tudo aqui. E essa escolha também depende do gênero de cada música.

Em pleno período do regime militar, os festivais universitários/musicais - que revelaram incontestáveis nomes da MPB, inclusive, Paulinho Tapajós - deixaram marcas inesquecíveis na história das boas canções. Qual era o critério artístico para participar daqueles memoráveis eventos?
Creio que fosse pela qualidade musical e literária de cada obra.

Você também é formado em arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Chegou  a exercer a atividade ou a música teve prioridade em sua carreira?
Cheguei a realizar alguns projetos assim que me formei, mas a música, aos poucos, foi  absorvendo todo o meu tempo e acabei abandonando de vez a arquitetura.

Compositores e intérpretes de qualidade são cada vez mais escassos. Parece que  estão cansados, fazem pouco uso da verve criativa, o que houve com a MPB?
O que aconteceu foi que a grande mídia decidiu fazer outras escolhas mais imediatas e que fossem absorvidas com mais facilidade e em maior quantidade. Quem desejar optar por caminhos alternativos vai encontrar velhos e novos talentos. Porém, a exposição hoje não é a mesma de outros tempos.

Você frequentou durante a infância os estúdios da Rádio Nacional, na Praça Mauá, no  centro do Rio de Janeiro, já que seu pai foi um dos diretores da emissora. Fale-nos um pouco sobre aquela época.
A Rádio Nacional era o maior veículo de divulgação da nossa música, seus programadores eram pessoas comprometidas com a cultura e tinham o objetivo de levar ao ouvinte a qualidade, sem  desprezar a popularidade. E sabiam com isso atrair grandes patrocinadores, o que lhes garantia a manutenção de uma grande orquestra com a contratação dos melhores maestros, músicos, compositores e artistas que, por sua vez, tinham a motivação de uma carreira profissional que os satisfizesse e sustentasse através de um salário e de oportunidades maiores de shows e gravações.

O estilo de música te influencia na hora de colocar uma letra? De que forma isso acontece?
Sim. De alguma forma o texto acaba se enquadrando no universo daquele estilo ou gênero musical. Palavra é som também.

Você prefere letrar uma música já pronta ou prefere fazer o poema primeiro ?
Por necessidade dos parceiros musicais, que em geral tem mais dificuldade em colocar letras em suas composições, eu acabei me dedicando mais a letrar melodias prontas. Mas gosto de compor de qualquer forma. E tenho feito coisas assim também durante esses anos. Seja escrevendo os versos pra alguém musicar. Seja fazendo música com o parceiro e letrando ao mesmo tempo ou depois, seja fazendo letra e música sozinho.
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