sábado, 23 de fevereiro de 2013

Jazz inusitado e a degradação da música brasileira




Por Marcos Niemeyer
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Jazz FM. Música civilizada


>> Uma inusitada apresentação acabou virando hit na internet devido à escolha dos instrumentos de um percussionista. Em um vídeo postado recentemente no Youtube, o músico espanhol Jorge Perez mostra sua performance ao fazer ruidosa batucada usando para isso o traseiro avantajado de quatro atraentes mulheres.

Engana-se quem pensa que algo tão fora do comum para uma apresentação musical de qualidade seja de baixo nível. Perez integra a excelente banda de jazz fusion espanhol Patax, cuja filosofia é “a música está em todo o lugar”. O show do artista nos 'tambores' improvisados fez tanto sucesso que já conta com quase três milhões de acessos.
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Por outro lado...

É preciso que as autoridades joguem duro para inibir a proliferação dos indigestos bailes funk nas áreas periféricas dos grandes centros urbanos. Como é do conhecimento público, esse tipo de evento raramente não termina em pancadaria e tiroteio. Impossível admitir que em nome da 'diversidade cultural', a bandidagem tome conta do pedaço.

A mídia é a maior culpada pelo alcance popular dessa coisa cabulosa na medida em que exalta seus autores chamando-os de 'artistas'. Os verdadeiros talentos da nossa música estão relegados a segundo plano.

Recentemente, uma notável figura da MPB foi obrigada a cancelar sua apresentação na cidade mineira de Ipatinga por falta de público. Detalhe: Ipatinga, no Vale do Aço, tem 250 mil habitantes, é sede da Usiminas e de outras importantes indústrias nacionais. O poder aquisitivo da população se destaca entre os maiores do Brasil.

Apesar de previsto em Lei e com data limite até 2012 para seu início, escolas públicas e privadas de todo o País resistem a incluir o ensino de música nas grades curriculares o que poderia a médio prazo melhorar o gosto musical das novas gerações.  Diante do descaso, jovens estudantes são incapazes de conhecer a verdadeira cultura sonora e seus mais variados tons.

Todavia, com o aval da mídia degradante, crianças e adolescentes sabem de cor e salteado todos os ritmos medíocres inventados pelos meios de comunicação. Em uma escola pública de Juiz de Fora, por exemplo, estridentes caixas de som instaladas no pátio tocam na hora do recreio funk, axé, pagode, forró e breganejo.

Há poucos dias, em outro estabelecimento de ensino da cidade, a professora de uma turma da quinta série tagarelou durante o intervalo: "Quem dançar melhor na boca da garrafa vai ganhar cinco pontos na prova de conhecimentos gerais". Como se observa, nossos estudantes estão mesmo perdidos.
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