quinta-feira, 21 de março de 2013

Emílio, a voz inconfundível da MPB


Por  Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
Fale conosco no Skype: marcos.niemeyer12
Jazz FM. Música civilizada
Acesse-nos


>> A morte do cantor Emílio Santiago é uma perda irreparável para a MPB. Aqueles que nunca tiveram oportunidade de assistir a um show do cantor perderam algo de rara beleza nos palcos artísticos.

No cenário, via-se um intérprete de grande talento, elegância e simpatia. Oriundo dos antológicos festivais universitários - que revelaram importantes nomes da MPB nas décadas de 70/80 - ele arrebatava de maneira inconteste melodias que nem seus próprios autores conseguiam sobrepor.

Bem elaborado, suas requintadas interpretações evidenciavam-se ainda mais durante as apresentações ao vivo. Emílio gravou ao longo de sua carreira composições dos maiores nomes da música popular brasileira.

Sua densa discografia revela um artista de múltiplos horizontes, embora seja conhecido apenas por algumas canções. O compositor Roberto Menescal - um dos criadores da Bossa Nova - afirma que Emílio sempre lhe dizia: "Eu também quero criar, quero lançar coisas".

- Deixa os outros lançarem, depois você vai cantar melhor do que eles. Você é o grande intérprete da MPB, respondia-lhe Menescal.

Neste vídeo, o artista interpreta 'Deixa ficar', de sua autoria, e 'Andança', do mestre Paulinho Tapajós. 



Lamentavelmente - a exemplo do que ocorre com os verdadeiros talentos musicais - Emílio não está na preferência sonora dos novos tempos, cujo repertório é cada vez mais medíocre e descartável. No blog Mingau de Aço, o jornalista Alexandre Figueiredo escreveu:

"Embora Emílio tivesse sido praticamente um crooner, no sentido de que grava geralmente repertório alheio, ele era uma das últimas referências de sofisticação musical na MPB. Não por acaso, os últimos discos de Emílio Santiago eram dedicados à Bossa Nova, e, salvo uma ou outra canção de gosto duvidoso, o repertório cantado por ele primava pela qualidade musical dentro de uma voz potente e melodiosa.

Estamos numa época em que a MPB autêntica sofre os efeitos da velhice. Afinal, os grandes artistas, salvo raras exceções, não têm menos que 60 anos de idade, e nas últimas semanas quase perdemos Zé Ramalho e Dominguinhos. Mas perdemos Emílio Santiago. Isso é muito grave. Se até mesmo Caetano Veloso e Gilberto Gil são septuagenários, então, a coisa fica muito delicada.

Enquanto isso, nas gerações mais recentes, a cada cantor de MPB autêntica que surge - geralmente de um talento de mediano para bom, mas nada excepcional ou impactuante -, surgem milhares de cantores brega-popularescos de vários estilos".