sábado, 9 de março de 2013

Para com isso, Adriana!


Por Marcos Niemeyer
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>> Se não bastasse a imensurável quantidade de lixo sonoro que tomou conta do Brasil a partir das últimas duas décadas - colocando nas paradas de sucesso verdadeiros atentados que os meios de comunicação insistem em classificar como se de fato fossem músicas - o fato surpreendente desta vez fica por conta da cantora gaúcha Adriana Calcanhotto que resolveu convidar o tal  do DJ Sani Pitbull para transformar as canções de seu novo CD em um pancadão no estilo do condenável funk carioca.

Até aí seria apenas mais alguma coisa inútil a figurar nas trincheiras desse ritmo cuja maior especialidade é fazer apologia ao submundo do crime e ao tráfico de drogas chefiados por bandidos truculentos que dominam as favelas do Rio de Janeiro. Acontece, porém, que as músicas em questão foram compostas por ninguém menos que o mestre Vinicius de Moraes.

Adriana Calcanhotto que é apenas uma cantora razoável ou na melhor das hipóteses aceitável com restrições, parece que não anda mesmo batendo bem das ideias. "O objetivo é celebrar  o centenário de nascimento de Vinicius de Moraes (1913-1980) com uma justa homenagem", anunciou durante entrevista ao jornal carioca - O Dia.

Seria cômico se não fosse trágico. Afinal, isso não é homenagem digna que se preste a um dos maiores nomes da MPB. Trata-se, sem dúvida, de uma grande ofensa ao criador das mais expressivas melodias brasileiras.

Imaginem, por exemplo, a antológica Garota de Ipanema sendo 'assassinada' por funkeiros botocudos e com as periguetchys suburbanas rebolando o traseiro até o chão? Um Crime inafiançável, uma tremenda. A tramóia articulada pela cantora provavelmente conta com o apoio da mídia porca e contrária à evolução da cultura.

Se vivo fosse, Vinicius não veria com bons olhos esta baita cagada a manchar o conjunto de sua relevante obra. A ideia de Adriana deveria ser rechaçada ainda em seu processo embrionário por motivos obviamente conhecidos pela opinião pública. Dessa vez a moça extrapolou os limites do bom senso em sua infeliz tentativa de fazer uma junção entre qualidade artística e a podridão sonora glamourizada pela mídia.

O projeto de Adriana Calcanhotto não pode ser levado a sério por quem tem bom senso e sabe que a MPB merece respeito. A tentativa de legitimar o vil funk carioca só pode partir mesmo de quem não tem nada para fazer ou então é conivente com a bandidagem.

Bandida a cantora não é, nunca foi. Porém, abre precedentes para que os foras da lei sejam transformados em figuras tão admiradas pelo brasileiro médio como se fossem verdadeiros artistas. Isso sim, é caso de polícia!
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