segunda-feira, 29 de abril de 2013

Esse cabra é ele


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
Jazz FM. Música civilizada

>> Roberto Carlos, o mais popular cantor do país, poderia receber sem mais delongas o sugestivo título de 'Rei' das esquisitices. Supersticioso aos extremos, o artista tornou-se uma caquética figura a conspirar contra a liberdade de expressão.

Eis a mais recente prova cabal: o livro "Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude", de Maíra Zimmermann, pela editora Estação das Letras e Cores. 'Sua majestade' contratou um batalhão de advogados com o objetivo de paralisar a vendagem da publicação.

O processo jurídico é apenas extrajudicial por enquanto, segundo o escritor e jornalista Ruy Castro - que também já foi processado pelo 'Rei' apenas pelo fato de ter escrito um artigo sobre o cantor para uma revista de circulação nacional, em 1983.

"Deve ter sido escrito em pós-estruturalês profundo, com fartas citações de Foucault, Derrida e Deleuze, e, como tal, de interesse restrito aos círculos acadêmicos. Não há grande possibilidade de que, como alegam os advogados, o texto contenha revelações sobre a "trajetória de vida e intimidade" de Roberto Carlos - a não ser que, um dia, o cantor de "O Calhambeque" tenha se envolvido semiótica e gnoseologicamente com a filósofa búlgara Julia Kristeva", argumenta com relação ao caso do momento.

Santo forte


Como é do conhecimento público, Roberto Carlos não gosta de livros que falam de sua trajetória artística e pessoal. Neste sentido, já processou muitos escritores e jornalistas. E por conta de sua imagem diante da lei, nunca perdeu uma causa. Mas o distinto é uma figura pública. Como tal, jamais deveria se trancar entre quatro paredes.

Roberto tem o santo forte. Quanto mais ele bate nesses profissionais, mais a imprensa curva-se diante de um artista que mal concluiu o ensino fundamental. O máximo que o o 'Rei' fez na escola foi um curso de datilografia em um ginásio na Praça da Bandeira, na região central do Rio de Janeiro. Mesmo assim, o cabra nasceu com o o fiofíó virado para a lua.


Rabo preso

Diferentemente do início da carreira, quando vivia quase a implorar pelos corredores das emissoras de rádio para que tivesse uma oportunidade, o 'Rei' - convenhamos, nunca foi um gênio da música. Nos países do Primeiro Mundo, por exemplo, ele pode circular tranquilamente pelas ruas como um ilustre desconhecido.

Chegado a fazer mimo com os vizinhos da rua onde mora, na Urca, Zona do Sul do Rio, acenando para a plateia de granfinos embasbacada ou simplesmente parando com seu carrão importado na porta de um boteco estiloso do bairro para anunciar que "essa rodada é por minha conta", Roberto Carlos poderia ser mais zeloso com escritores, jornalistas, radialistas e apresentadores de TV em geral.

Esses, sim, são os verdadeiros responsáveis por ele ter ficado tão famoso e endinheirado. O 'Rei', no entanto, não fala para nenhuma emissora de rádio, não dá entrevista aos jornais, detesta as revistas. A única exceção fica por conta da Rede Globo. Parece, inclusive, que o cabra tem rabo preso na emissora mais mafiosa do país.

Sandálias da humildade

Este artigo, postado originalmente no Facebook, rendeu inúmeros comentários. Mesmo aqueles que apreciam as músicas do 'Rei' da Jovem Guarda, ou que não gostam, mas jamais atiraram pedras no telhado do artista, são unânimes em afirmar a falta de humildade da figura em questão.

"Marcos Niemeyer, acho ridícula essa atitude do Roberto Carlos. Eu posso dizer, pois, através do meu saudoso pai, Elmar Tocafundo, primeiro divulgador da gravadora CBS em 1962, em Belo Horizonte, tenho muitas histórias sobre Roberto Carlos, entre uma que posso citar de próprio testemunho. 

Em 1962,  Roberto foi procurar Elmar, na  Rádio Guarani, nos Diarios Associados, para pedir ajuda porque estava sem um tostão no bolso e com suas malas apreendidas no Hotel Magestic, no centro de Belo Horizonte. Elmar, nesse época, não conhecia Roberto, mas, sendo responsável pela gravadora, fez o que pode pra ajudar o tal Jovem cantor que foi pedir uma 'forcinha'.

Na época, a TV Itacolomi (hoje, Alterosa) - recebia cantores famosos pra se apresentarem no auditório, Elmar, ajudou Roberto a fazer uma apresentação e ganhar uns trocados. Elmar Tocafundo, meu pai, foi um dos responsáveis pelo sucesso de Roberto Carlos. 

Esse grande artista, porém,  não aprendeu a ser humilde com tantas coisas que aconteceram em sua vida; como a perda de suas duas mulheres, Nice e Maria Rita, a morte prematura de sua enteada e sua mãe D. Laura, e a perda de visão de seu único filho.

Nada disso fez com que o 'Rei' Roberto seja uma pessoa mais humana e simples. Gosto das músicas dele, mas o acho uma pessoa egoista e distante da realidade em que vivemos. Quer uma prova mais explícita? Ele nunca se manifestou publicamente diante de uma uma causa social ou política de grande relevância". 
Daisymar Tocafundo, assessora da diretoria da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte

"Roberto Carlos é um reacionário de direita. Não defendeu  causas sociais ou políticas.  O cara, como figura pública, bem que poderia ter mais jogo de cintura para lidar com os fãs dele. O 'Rei' precisa calçar as sandálias da humildade" 
Francisco Luiz Arrabaldi, Juiz de Fora

"O cantor Roberto Carlos é um sujeito frustrado, apesar da fama do e do dinheiro. Tanto é que ele nunca teve uma vida amorosa que desse certo. Deve ser por falta de humildade. ele parece ser um chiclete"
Cristina Amália Ribeiro, São Paulo
 
"Gosto demais das músicas do meu ídolo, Roberto Carlos. Entendo, porém, que ele deveria ser mais próximo dos jornalistas e dos comunicadores de rádio e TV. Mas, afinal, quem são vocês pra falar mal dele? Tratem de baixar a bola"
Vera de Castro Sampaio, Porto Alegre

PS:. Das grandes emissoras de rádio onde atuei, a única onde vi um poster em tamanho natural pendurado na parede com autógrafo de Roberto Carlos foi na extinta Rádio Excelsior de São Paulo. (A emissora pertencia ao Sistema Globo). Tá explicado!!!