domingo, 12 de maio de 2013

Mediocridade sonora faz a cabeça da juventude


Por Marcos Niemeyer
Jazz FM. Música civilizada

>> As pessoas de bom senso desse país ficam cada vez mais indignadas diante da idiotice sonora que tomou conta das paradas de sucesso nos últimos anos com o aval da mídia e sua  insistência em classificar tal absurdo de "música".

Na era do descartável - onde usa-se e depois joga no lixo - com os ritmos melódicos não tem sido diferente. Menos mal! A cada dia surgem no cenário dezenas de cantores e compositores medíocres, preocupados apenas em ganhar dinheiro sem se importar com a qualidade final do produto.

Diferentemente da época em que para fazer sucesso o artista precisava ter no mínimo um talento razoável, atualmente qualquer  Zé Coió se diz "cantor" e incensado pelos meios de comunicação, acaba por engabelar a plateia - formada em sua maioria por camadas com baixo nível de escolaridade, ou mesmo que tenham frequentado por mais tempo a escola, incluindo, no caso dos mais jovens, os bancos das faculdades - mas cujo senso crítico nunca foi tão reduzido.

Há de se ressaltar que a qualidade musical despencou igual gafanhoto perseguido por ave de rapina não foi só no Brasil. Como já citamos em comentários anteriores neste espaço virtual, até mesmo os Estados Unidos e a Europa - celeiros em décadas passadas de grandes nomes artísticos e suas obras musicais relevantes - atualmente pouco ou quase nada oferecem nesse aspecto.

A diferença, no entanto, é que nos países do Primeiro Mundo a inteligência está milhares de quilômetros à frente dos trópicos. Significa dizer que por lá pode até ter também inúmeras mediocridades sonoras. Mas não despertam tanto a atenção do povo nem tampouco lotam espaços públicos e privados como ocorre no Brasil, por exemplo.

Quem assistiu "Somos tão jovens", filme que discorre sobre o início da carreira de Renato Russo, deve ter refletido sobre a grande diferença musical entre aquela época e os dias atuais. A geração do final do regime militar revelou jovens antenados que formaram bandas de grande expressividade a exemplo de Legião Urbana, RPM, Titãs, Capital Inicial e Paralamas do Sucesso.

Nesses tempos modernos, porém, a juventude - incluindo os universitários - cultua ídolos de qualidade artística cada vez mais duvidosa e insignificante. Não precisa ser nenhum especialista no assunto para perceber que democracia sem uma educação adequada significa o mesmo que liberdade manipulada.

A juventude brasileira do novo milênio está com sua capacidade crítica completamente em baixa. Os meios de comunicação e o sistema estabelecido, responsáveis pela ignorância coletiva, aplaudem e pedem bis.
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