quarta-feira, 31 de julho de 2013

"Meu nome é Delícia dos Prazeres"


Por Marcos Niemeyer


>> Além dos amores platônicos e seus desejos desordenados do prazer carnal, agora há também os virtuais que pululam a todo instante no Face, e-mail, YouTube, nos blogs e onde mais houver espaço na internet ou nas mensagens dos cada vez mais modernosos celulares. Nunca foi tão fácil a oferta de sexo. Nem nos tempos de Sodoma e Gomorra.

A onda mais recente são os sites que estimulam a traição. Tem dezenas deles para quem não vê a hora de escapar da rotina conjugal e para quem “busca um caso ou aventura emocionante”, conforme texto na página principal do Second Love, um dos mais polêmicos das espécies virtuais.

Os responsáveis pelo site afirmam que o negócio, em princípio, não incentiva a traição, apenas flertes online para apimentar a relação.

E uma periguetchy paulistana escrevinhou no Twitter: "Homem só quer sair com garotas fáceis e burras. É tudo que eu não sou". Hahahahaha... essa última frase não cola nem com Super Bonder.

É aí que vem na memória aquela velha melodia dos mestres Ataulfo Alves e Mário Lago: Ai meu Deus que saudade da Amélia/ Aquilo sim que era mulher de verdade.../

Bons tempos! Amélia não sabia o que era computador nem tampouco sonhava com smartphone ou qualquer outra espécie dessas geringonças modernosas. Escrevia suas cartinhas a mão recheadas de marcas de batom e talco com cheiro de flores.

As novas invenções tecnológicas não só estimulam a traição como também tornam seus usuários verdadeiros escravos. Recente matéria divulgada pelo jornal New York Times informa que uma pesquisa realizada para estudar os hábitos dos consumidores de celulares revelou que os norte -americanos são mais viciados em seus smartphones do que possa parecer.

55% dos entrevistados disseram que usam o smartphone enquanto dirigem, 35% usam dentro do cinema, 32% em reuniões, 19% usam enquanto estão na igreja e 12% não largam o aparelho nem mesmo para tomar banho. Porém, nenhum outro número chama mais a atenção do que este: noventa por cento dos americanos usam a engenhoca até na hora das saliências sexuais.

A situação no Brasil não deve ser muito diferente. Em São Paulo, durante debate numa emissora de rádio sobre mídias sociais e comportamento de usuários de celular, uma ouvinte que se apresentou com o codinome “Delícia  dos Prazeres”, disse que não larga o celular um instante sequer.

“Só sei fazer sexo com meu namorado, inclusive anal e oral, se estiver segurando o negócio dele com uma mão e tendo na outra munheca o meu celular Nokia Lumia”, tagarelou para espanto geral  dos entrevistadores e ouvintes.

Recentemente, em um restaurante na Zona Sul do Rio, um casal jantava quando um smartphone de última geração passou em voo rasante sobre as mesas em direção à Lagoa Rodrigo de Freitas. Era o namorado indignado com a falsa loira que não desgrudava do aparelho.
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