domingo, 7 de julho de 2013

Tem comunicação; os cariocas do brejo estão no ar


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Agradecemos ao amigo radialista Carlos Ferreira a gentileza em nos enviar três importantes livros para enriquecer nossa modesta estante literária. 

Memórias possíveis, ilustres personagens da televisão de Juiz de Fora; Geraldo Santana, música, sonho e realidade, publicação que destaca um dos mais importantes nomes da MPB local, e Cariocas do brejo entrando no ar - o rádio e a televisão na construção da identidade juiz-forana (1940/1960). 

As referidas publicações contam com amplas referências da Funalfa e UFJF (Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage e Universidade Federal de Juiz de Fora, respectivamente).

O mais  envolvente dos três exemplares, sem dúvida, é 'Cariocas do brejo entrando no ar', narrativa dos jornalistas Flávio Lins Rodrigues e Maria Cristina Brandão de Faria sobre o histórico comportamento dos habitantes de Juiz de Fora que, em função da proximidade com o Rio de Janeiro, recebeu o termo pejorativo de 'carioca do brejo'.

O dicionário Michaelis define o termo brejo como um lugar perigoso, frio, úmido, infecundo, temido pelos que por ali passam, já que oferece risco de vida, quer seja pela possibilidade de afogamento quer seja pelas criaturas perigosas que ali se escondem.

Como é do conhecimento público, Juiz de Fora nunca quis mesmo ser mineira. As primeiras transmissões radiofônicas realizadas nesta envolvente cidade de 600 mil habitantes, por exemplo, já deixavam nítidas a inspiração dos modelos de programas veiculados pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Com a chegada da televisão, no final da década de cinquenta, o povo que já não era muito fã de Belo Horizonte, se rendeu de vez ao carioquismo.

Os autores do livro ressaltam que que não era só Juiz de Fora que olhava para o Rio, mas a Cidade Maravilhosa também não ignorava a existência da Manchester Mineira. Neste sentido, a cidade é citada dezenas de vezes em obras literárias de autores cariocas nos fins do século XIX.

No segundo parágrafo de "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo, publicado em 1890, o autor escreveu:

A comida arranjava-lha, mediante quatrocentos réis por dia, uma quitandeira sua vizinha, Bertoleza, crioula trintona, escrava de um velho cego residente em Juiz de Fora e amigada com um português que tinha uma carroça de mão e fazia fretes na cidade.

Nas resenhas de Machado de Assis, publicadas entre 1873 e 1884, observa-se referências à mais 'carioca' das cidades mineiras. "No texto quem conta um conto...", disse o sábio escritor:

No fim de cinco minutos, o Major Gouveia continuou: - ouvi toda sua narração e diverti-me com ela. Minha sobrinha não podia fugir hoje de minha casa, visto que há quinze dias se acha em Juiz de Fora.

No conto "O Caso do Romualdo", publicado originalmente em A Estação, em 1884, há uma resenha  entre os personagens Carlota e Romualdo, com o seguinte trecho do diálogo:

  Mas, então, vem jantar comigo uma Vez? Hoje, por exemplo...
  Hoje estou comprometido.
  E amanhã?
  Amanhã vou a Juiz de Fora.

"Cariocas do Brejo entrando no ar" é leitura obrigatória para jornalistas, radialistas, estudantes de comunicação e a todos, em geral, na fascinante história e resgate do rádio e da TV na cidade que chegou a entrar no páreo para sediar a capital mineira, em 1893, mas acabou perdendo de goleada para 'Belzonte', planejada para ser a maior 'roça' do planeta.
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Entrevista

Maurício Menezes, o "Danadinho" e Glauco Fassheber, dois dos maiores nomes da Rádio Globo do Rio de Janeiro, no esporte e jornalismo, respectivamente, nas décadas de 70/80/90, são nossos entrevistados nesta primeira quinzena de julho no YouTube e redes sociais. 

Glauco e Maurício são naturais de Juiz de Fora, onde moram atualmente   após escreverem o nome na história da radiofusão brasileira. Formado em Direito, Menezes é um dos mais conceituados advogados de JF. Fassheber, por sua vez, curti merecida aposentadoria.

A entrevista está sendo articulada pelo radialista Carlos Ferreira. A Nova Virtual FM toca os grandes clássicos da MPB, Jazz e flashback. Se ligue em nossa programação, 24 horas no ar!
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Música de qualidade

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