segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Welcome to Brezil, 'Sêo Dotô'


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Apesar dos protestos articulados por radicais e fascistas de plantão, o programa Mais Médicos —  do governo federal ganha espaço com a chegada desses profissionais da saúde ao Brasil.

O fato mais inusitado é que representantes de ex-impérios colonizadores estão fugindo do desemprego na Europa como o diabo foge da cruz e, quem diria, partindo de mala e cuia para a terra descoberta por Cabral (favor não confundir com aquele controvertido morador do Leblon em que todos são unânimes: FORA CABRAL!).

Os europeus praticamente nasceram em berço de ouro, sem nenhuma perspectiva de arregaçar as mangas e procurar ou aceitar emprego fora de suas raízes. Já os cubanos, no entanto, “rebentos de uma revolução socialista”, vira e mexe sentem a “necessidade” de apoiar os “irmãos” latino-americanos.

Se por um lado o  Mais Médicos  pode ser bem visto à luz da razão, por outro é questionável a maneira como muitos deles receberão pelos serviços prestados. Os europeus já sabem de cor e salteado que vão embolsar dez mil reais do governo federal, além de moradia e alimentação das prefeituras nas cidades onde vão trabalhar.

Subindo nas tamancas

Os médicos brasileiros, fortalecidos pelos conselhos regionais da categoria e chancelados pelo Conselho Federal de Medicina, subiram nas tamancas diante do que classificam de “intromissão”.

Qualquer pessoa instruída sabe que trata-se de corporativismo por parte dos homens do jaleco branco. Mas eles não arredam os pés e dizem que se trata de “zelo” com a saúde do brasileiro, já que os estrangeiros não dominam corretamente o idioma tupiniquim ­ —  o que pode causar problemas durante uma consulta médica ­—  além de desconhecerem o sistema de saúde brasileiro.

Ora, esse ponto de vista não faz sentido. Quem acompanha os jornais e revistas mais sérios sabe que o governo brasileiro (não estou aqui para defender o PT – que fique bem claro!) estabeleceu o domínio da língua brasileira como um dos pré-requisitos, sem contar  que os médicos de outros países vão receber cursos de capacitação neste sentido.

Incapazes

A maior implicância da direita é mesmo com os médicos cubanos. Se fossem  americanos, certamente os estropícios de plantão estariam satisfeitos. Mas como tem “comunistas” no meio, não pode.

Outro detalhe que poucos  percebem é que a mídia comprometida com a mentira não faz questão de anunciar: o convênio Brasil/ Cuba foi acertado pelo então ministro da Saúde, José Serra, na segunda gestão de FHC, durante visita oficial à velha cuba destroçada.

Também é duvidosa a “preocupação” dos médicos brasileiros que estão achando os cubanos incapazes de desenvolver um bom trabalho em território nacional. É bom lembrar que em várias partes do planeta governos enviam armas e soldados despreparados para matar e morrer.

O povo que phoda-se

E um leitor desta página disse que está preocupado mesmo é com a saúde moral dos médicos cubanos, quando conhecerem de perto as falcatruas dos políticos ou quando espiarem as famigeradas novelas e os programas medíocres da TV brasileira.

Diante de tanta polêmica causada  por conta do programa Mais Médicos, a declaração de um clínico geral do SUS em Juiz de Fora soou como o cúmulo do absurdo. O distinto disse aos jornais que se atendeu dezesseis pacientes, cumpriu sua cota e, portanto, está liberado.

Medicina, sabem os formadores de opinião e os bem escolarizados vai muito além das cotas. Ou os médicos cubanos perderam o juízo quando disseram que medicina é dedicação?

É óbvio e ululante que milhares de médicos brasileiros integram uma elite que jamais vai atender o povo nas periferias dos grandes centros urbanos ou em localidades afastadas de cidades importantes. Portanto, os Conselhos de Medicina deveria rever seus conceitos quando diz aos meios de comunicação que “vão chamar a polícia” para os médicos estrangeiros, principalmente os cubanos.

O que eles devem fazer é dar amplo e irrestrito apoio a esses médicos que estão chegando para ajudar a população descuecada, que não tem sequer um enfermeiro para pequenos procedimentos cirúrgicos.

Detesto político - mas desta vez sou obrigado a concordar com o ministro da saúde, Alexandre Padilha: “Se os médicos estrangeiros cuidarem bem da saúde do povo carente, eles serão sempre bem-vindos”.