domingo, 15 de setembro de 2013

Olha que coisa mais linda


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Faltando pouco mais de três meses para terminar o ano — e apesar de ainda ser 'inverno' — o Brasil tropical já vive verdadeiro clima de verão. No efervescente e lascivo Rio de Janeiro, nunca se viu tanta mulher por metro quadrado nas praias da Zona Sul. Os mestres Tom e Vinicius perderiam o rumo de casa.

As altas temperaturas na Cidade Maravilhosa prejudicam, obviamente, os mais pobres e suburbanos. Nos bairros da Zona Norte o calor é infernal. Dá pra fritar “ô zôvo” no asfalto. A partir do centro da metrópole em direção às áreas nobres, porém, a canícula resolve dar uma trégua.

Já no Aterro do Flamengo, com  a deslumbrante vista para a Baia de Guanabara e o Pão de Açúcar servindo de moldura, a brisa sopra a ponto de dar um arrepio na nuca. O táxi que pegamos na Candelária desliza a cem por hora. 

No som ambiente do veículo ouve-se Leila Pinheiro a cantar “Besame”, de Flávio Venturini. Um presente para os ouvidos. Solícito e ao mesmo tempo falante, o motorista que já me conhece de outros carnavais resolve questionar a qualidade do Rock in Rio.

—  Porra, malandro, sei que tem bons artistas no esquema. Mas daqui a pouco vão colocar no palco até esses cantorzinhos de merda que tocam nas FMs, nos programas idiotas da TV e são figurinhas fáceis nas revistas Caras e Contigo, por exemplo.

—  Assino embaixo sem tirar uma vírgula. Você está certíssimo, disse-lhe eu.

—  E em Juiz de Fora, Marcos, tem muita mulher bonita igual ao Rio de Janeiro? Ouço dizer que o povo de lá é metido a carioca.

—  Mulher bonita tem em todo lugar, respondo. Mas a beleza não é tudo. Quem vê cara não vê coração. E é numa dessas que o cabra pode dar com os burros n’água. Quanto ao fato de Juiz de Fora não querer ser mineira, isso não vem de agora. Essa novela já rendeu muito pano pra manga.

Quase no túnel de acesso à Barata Ribeiro várias viaturas da PM cercam a área. Chegamos a imaginar que fosse mais uma das manifestações de rua contra a corrupção dos políticos que, apesar de justas, pecam pelos abomináveis atos de vandalismo e violência praticados pelos Black Blocks e com cobertura ao vivo via internet pela questionável Mídia Ninja.

A rapaziada destrói furiosamente tudo que encontra por onde passa. Principalmente agências bancárias, revendedoras de automóveis, veículos das emissoras de rádio e TV, além de equipamentos públicos e edificações históricas (a exemplo de igrejas). 

Os botocudos, capazes de encontrar até advogados e juristas para defendê-los, costumam anunciar que só atacam os “símbolos do capitalismo”, muito embora alguns deles usem tênis e camisetas de grifes americanas. (Curiosa e inacreditavelmente, até o momento não saquearam nem atearam fogo em nenhuma unidade do MacDonald's).

Mas não era nada disso. O bloqueio da via expressa pelos "hômi" tinha por objetivo encurralar um bando fortemente armado que tentou assaltar o carro forte prestador de serviço para uma rede de supermercados.

Depois da confusão, finalmente avistamos Copacabana. O céu e o mar de tão azuis pareciam mais uma pedra de anil daquelas usadas por nossa saudosa vovozinha na água das roupas brancas para deixá-las ainda mais claras.

A praia, completamente lotada deve estar cheia de mineiros de Juiz de Fora (conhecidos como 'cariocas do brejo') e troianos além de cariocas da gema, sem dúvida, matutei. O cenário é perfeito para a sequência do documentário que estamos gravando sobre a Bossa Nova.

É o único movimento musical ao lado do samba legítimo que tem a verdadeira cara do Rio de Janeiro quando o assunto é música responsável. O resto, sem mais delongas, não passa de invenção cabulosa da mídia.
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