quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Una chica es tocar el corazón


Por Marcos Niemeyer


>> Carolina Gonzalez (23 anos), uma argentina de Buenos Aires, que abandonou a faculdade de medicina para correr o mundo com suas apresentações de violino pelas ruas por onde passa, exibia sua arte no início desta tarde gelada no agitado calçadão da Rua Halfeld, no centro de Juiz de Fora. 

Da marca Hofner, de fabricação alemã, o instrumento pode ser considerado uma raridade. Tímida e de beleza natural 
sem qualquer tipo de pintura que descaracterize a verdadeira feição feminina — Carolina conversou conosco durante alguns minutos e reclamou da falta de apoio para mostrar sua arte. 

"Tengo que jugar en la calle y dejar que los transeúntes a contribuir un poco de dinero. Es difícil vivir en un mundo de arte decadente", desabafou com olhar tristonho, porém firme.

Exibições dessa natureza são comuns nas grandes cidades do mundo. Em Nova York, Paris, Londres, Berlim, São Paulo, ou até mesmo na Zona Sul do Rio, andar cem metros sem dar de cara com uma figura esclarecida a proporcionar momentos musicais agradáveis é uma raridade.

Em localidades interioranas, como é o caso de Juiz de Fora, porém, torna-se algo mais difícil na medida em que a maioria da população está absolutamente sob controle do sistema midiático.

Indiferente naquele momento da preferência musical dos transeuntes, Carolina mostrou sua insuspeitável performance. “As quatro Estações”, de Vivaldi, “Concerto para Violino”, de  Tchaikovsk, “Sonatas”, de Mozart, etc, e até partituras do mestre Tom Jobim.

Dezenas de passantes batiam palmas. Outros, simplesmente ignoravam a presença da artista que deixou a caixa protetora do violino como indicador das eventuais ofertas. Ao ser por nós perguntada em que local havia se hospedado,  Carolina conteve as retinas quase marejadas antes de dizer:

“Yo no estoy en cualquier lugar. Yo estoy aquí y voy a pasar por Bahia y desde mi envíe a París o en otro país europeo.Talvez algún día me encuentro con alguien que me quiere venir a vivir bajo mis harapos una vida sin vergüenza y los requisitos. Para mí, el amor está vivo, como debe ser la vida.”

Confesso, sinceramente, que tive vontade de chorar e abraçar  aquela menina e ouvi-la numa eterna sinfonia com seu magistral violino a tocar todas as notas musicais carentes dos meus ouvidos e das minhas paixões.