quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Parceiro musical de Raul Seixas vive praticamente na miséria em Salvador


Postado por Marcos Niemeyer


Comentário deste blog
>> Num calorento fim de noite às vésperas do Natal de 1985 estávamos de plantão na redação da Rádio Sociedade da Bahia, em Salvador, aguardando mais uma hora cheia para a edição do tradicional informativo Rádio Repórter A-4, do qual tive a honra de ser um dos apresentadores, quando a telefonista da emissora anunciou-me que Waldir Serrão, o “Big Ben” (foto), acabara de entrar na linha e queria falar conosco.

Prontifiquei-me em atendê-lo, a exemplo do que sempre fiz com os contatos, mesmo diante daqueles que jamais tinha ouvido falar. Quase em lágrimas, Serrão pediu-me que intermediasse uma entrevista para ele num dos programas da então mais ouvida emissora radiofônica do Norte/Nordeste. Era o início do fim da carreira de um dos mais notáveis talentos populares produzidos na terra de Caymmi e João Gilberto.

Como precisava respeitar a hierarquia profissional, conversamos durante certo tempo ao telefone e, após pedir desculpas diante da impossibilidade em atendê-lo por conta da solicitação que escapava da nossa área de controle, transferi o telefonema para a direção artística da emissora.

Soube posteriormente que Waldir Serrão que, inclusive, já havia atuado na própria Rádio Sociedade e na TV Itapoã — empresas pertencentes ao mesmo grupo — não conseguiu novo espaço, nem mesmo como convidado, para mostrar sua arte. 

Após três décadas do referido contato, fico ainda mais triste ao saber que “Big Ben” poderia ter ficado — se não tão famoso quanto seu parceiro musical Raul Seixas — mas pelo menos conseguido um lugar mais digno na história, física e financeiramente, para passar seus últimos dias sem tanta humilhação e sofrimento.

Por Gabriel Serravalle/ Tribuna da Bahia

Quem o vê recolhido em um pequeno quarto localizado na região do Dique do Tororó não imagina se tratar de Waldir Serrão, um dos mais famosos apresentadores de rádio e televisão da Bahia na década de 70. É assim que vive hoje o chamado “Big Ben” baiano.

Lutando contra o diabetes e a depressão, provocada pelo fim da fama, ele foi acolhido há cerca de cinco meses por uma amiga, que está em busca de ajuda para colocá-lo em algum abrigo. 

Conhecida de Waldir há mais de 40 anos, quando o acompanhou em alguns shows, Solange Pimentel alugou um quarto próximo a sua casa só para abrigar o amigo, que já não tinha condições de se manter no pensionato onde morava. Mas o objetivo agora é conseguir algum abrigo ou casa de repouso para acomodar o Big Ben.

“Infelizmente eu não tenho condições de cuidar dele o tempo todo. Além disso, fico com medo de ele ter algum problema de madrugada e eu não ter como ajudar”, explica Solange.

Para tentar ajudar Waldir Serrão a encontrar um lugar para morar, pessoas que se sensibilizaram com o caso já se movimentam nas redes sociais divulgando a situação na qual se encontra o ídolo dos anos 1970.

“É importante fazer essa ação na internet para encontrar este abrigo que possa recebê-lo, já que ele tem problemas de saúde e precisa de um atendimento especializado”, observa a amiga Solange. O próprio Waldir confirma o estado de saúde debilitado.

“Eu já não me encontro muito bem como já fui um dia. Hoje tomo remédio controlado, fico em depressão, já não consigo lembrar dos amigos. O pessoal aqui é quem tem cuidado de mim. Me dão comida, me ajudam”, revela Big.

Passado de glória


Se hoje Waldir Serrão caiu no ostracismo perante a mídia e o público, no passado seu nome foi sinônimo de sucesso. Considerado por muitos como o “pai do rock” na Bahia, Big apresentou o primeiro programa no estado inteiramente dedicado ao gênero musical, criado no ano de 1959, na Rádio Cultura.

Desde então foi ganhando notoriedade, passando por vários programas até chegar à TV Itapoã, na década de 70, e alcançar o auge do sucesso. “Eu apresentava o programa Som do Big Ben. Fizemos tanto sucesso que disputávamos a audiência com Chacrinha. Sinto muita falta daquela época”, conta Big.

Além de comunicador, Waldir Serrão se destacou também como cantor e compositor. Participou, nos anos 1960, de movimentos fundadores do rock baiano. Foi nessa época que se tornou amigo de Raul Seixas.

“Encontrei ele uma vez lá na Boa Viagem. Me disseram que ele tinha uma coleção de discos de rock muito boa. Chamei ele para conhecer a minha e vimos que tínhamos um gosto parecido. A partir daí montamos um clube de rock.

Depois eu revelei ele para o mundo”, se gaba. Big Ben não abandonou o rock. “Ainda passo o dia todo ouvindo Beatles”, ressalta. É desse som que ele extrai a força para seguir em frente. Ainda que a vida não tenha sido generosa com ele nos últimos anos, a esperança não morre. “Ainda tenho vontade de voltar para a TV. Se Deus quiser, vocês ainda vão ouvir falar muito de mim”, acredita.