quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"Ten mulhé pra carai"


Por Marcos Niemeyer


>> Encontramos colado no tapume de uma construção no centro de Juiz de Fora esta verdadeira "pérola". Trata-se de panfleto anunciando a realização de mais um famigerado baile "funk universitário" na periferia da cidade.

Rabiscada por algum energúmeno, a tentativa de transmitir a mensagem (que por si só já soa como o mais autêntico despropósito), caracteriza violento bombardeio à gramática com palavras e frases inacreditáveis.

O autor da "obra"  merece uma surra bem dada por conta da ignorância explícita e divulgação de um dos mais maiores excrementos sonoros na história musical do Brasil.

Tal  infeliz dificilmente deve ter sentado-se no banco de uma escola. Nem das mais primitivas. O mais franciscano dos professores de português teria um ataque de nervos diante do trapalhão. Caso algum transeunte deste minifúndio cibernético não consiga decifrar a escrevinhança original, aqui vai a tradução na íntegra com a devida correção ortográfica.

"Muita atenção, galera! Não perca mais um bailão funk universitário. É o melhor de Juiz de Fora, com o comando do MC Sancho Neto (o gostosão), no Morro do Cabrito, sábado, às dez da noite. Entrada dez reais. As meninas vão pirar. Falei, estão todos avisados, beleza, é só comparecer que tem mulher pra caralho.”

Confira o aviso original  lambuzado pelo cabra: "maita* atensão galera naum perca + un bailão funk univerçitario é u + melhô di júis di fôra con u komandu do MC Sancho Neto (o gostozão) no moro* du kabrito az dês da naíte entrada dêz reau az mina vai píra falei ta todos havizado beleza é çó comparessê ki ten mulhé pra carai."

*Leia-se: muita
*Leia-se: morro 
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Preferência musical

Pesquisa do Ibope revela que o tal do "sertanejo" é o ritmo de maior preferência musical atualmente no país. Ouvintes do estilo inventado pela mídia (53%) pertencem, em sua maioria, à classe C. 

Não é novidade que o mesmo segmento social também admire os demais ritmos sonoros de qualidade questionável. Os mais instruídos ouvem MPB e Rock com (47%) e (31%), respectivamente. Jazz e blues obtém juntos (9%) de aceitação. 

Como se observa, a cultura musical Brasil já teve dias melhores muito embora 47% de aceitação para a MPB no atual momento supere expectativas. 

Mas esse número pode não ser absolutamente verdadeiro já que a música popular brasileira autêntica jamais se representa através de cantores do tipo Maria Gadú, Ana  Carolina e Jorge Vercilo entre outros do gênero que tem a preferência de uma parcela da população a ouvir de joelhos o lixo sonoro midiático. 

Não que os três artistas aqui citados sejam ruins, porém, são apenas "ouvíveis". Menos mal, pois  o Ibope nunca foi dos mais confiáveis. 

Aliás, nunca vi ao longo dos meus 56 anos na "cacunda" nenhum pesquisador da instituição. Jamais recebi a visita de algum deles. Acredito que poucos os conhecem. A turma parece cabeça de bacalhau: todo mundo sabe que tem, mas ninguém vê com os próprios olhos. Ibope e mídia andam de mãos dadas quando o assunto é manipular a opinião pública.