terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Les Français ont la chatte odeur


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
cacarejadavirtual


>> Avessos ao consumismo desembestado  — principalmente nesta época do ano —,  encontramos em Avignon, no sul da França, um dos locais mais aprazíveis para um merecido descanso nesses últimos dias de 2013, durante nossa passagem pelo histórico país europeu.

Localidade com pouco mais de oitenta mil habitantes, Avignon é mundialmente conhecida como a cidade dos papas e do teatro. Tal fama, conforme os registros históricos, tem passado e presente indeléveis. No século 14, período conturbado em Roma, abrigou a sede do papado e tornou-se a capital do mundo cristão, com a construção do suntuoso Palácio dos Papas.

Seis décadas depois, transformou-se em palco para o maior festival de teatro da França. Foi a partir de 1947 que inúmeras peças, de diferentes estilos, passaram a ser apresentadas na cidade durante o mês de julho com as ruas servindo de espaço cênico para as mais relevantes criações teatrais.

Avignon está localizada na inspiradora Provence, região que sempre atraiu pintores e outros artistas deixando turistas embasbacados pela peculiar gastronomia, importante patrimônio histórico com seus suntuosos castelos mediévais e paisagens que parecem ter saído dos pincéis de alguns dos mais inspirados artistas plásticos.

Um bom vinho é o que não falta por aqui. Afinal, o município é considerado a capital dos vinhedos do Vale do Ródano, rio cuja nascente vem dos Alpes suíços percorrendo o centro-sul da França em direção ao Mar Mediterrâneo.

Incontáveis bares, restaurantes, cinemas, ruas absolutamente limpas (não se vê, diferentemente do Brasil, um palito de fósforo no chão), trânsito organizado, segurança absoluta e pessoas tão honestas e educadas — nem peidam ou cospem nos ambientes fechados, por exemplo — que chegam a devolver qualquer objeto que encontram onde quer que seja.

Distraídos diante daquilo que mais parece um conto de fadas, esquecemos nossa filmadora no balcão de uma lanchonete. Uma funcionária do estabelecimento atravessou a rua para nos avisar: "Hey, vous avez oublié ce genre de choses dans ma cafétéria. Voeux à la recevoir s'il vous plaît voter."

Avignon  fica a 639 quilômetros do centro de Paris. O sistema de transporte é eficiente e moderno. Daqui até lá, basta embarcar no trem-bala. Com menos de duas horas descortina-se a vista deslumbrante da antiga capital do império estendido pelos cinco continentes.

O inverno na França, que teve início no dia 21 deste mês de dezembro, vai até março de 2014. A neve é constante nesta época do ano. Em Avignon, a temperatura na manhã de hoje era de cinco graus.

Apesar do frio intenso, a higiene pessoal está acima de qualquer suspeita entre magnatas e plebeus. Costumam dizer no Brasil que o francês não gosta de tomar banho, ficando apenas nas marimbações perfumosas. Uma grande mentira! Até as quengas nativas que circulam nuit et jour exalam o mais suave do frescor no gangote. Les Français ont la chatte odeur.
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Au revoir

Este almocrévico mineirinho que vos cacareja perdido na França, sente-se no direito em ausentar-se deste espaço virtual pelos próximos dias. Estaremos de volta no início da segunda semana de janeiro. Desejamos a todos que acompanham e curtem nossas escrevinhanças, muita paz e luz no Natal. Que o Ano Novo, já praticamente avistável a partir do pescoço das girafas, baixe com boas novidades para um mundo cada vez mais carente de amor e de sinceras intenções.
Fiquem agora com a nossa próxima atração:
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