domingo, 9 de fevereiro de 2014

O chefe de jornalismo que "matava" ouvintes da rádio

Por Marcos Niemeyer


>> O facto é verídico e ocorreu por volta de l981, três anos após meu início nos meios radiofônicos. Pedro Luiz, nosso então coordenador de jornalismo da “Super Rádio Vitória”, emissora na época pertencente aos Diários Associados, era um mulato com cara de índio que “matava” diariamente dois ou três ouvintes na periferia da Grande Vitória (ES),com o objetivo de arrecadar auxílio para “enterrar” as “vítimas”.

O modus operandi do indivíduo, mais enrolado que laço de marinheiro, consistia-se da seguinte forma: apesar de naquela época não ser fácil efetuar uma ligação telefônica — era comum o pretendente passar várias horas para completar uma ligação, até mesmo para o quarteirão mais próximo — Pedro estabelecia contato com comerciantes, especialmente aqueles que confiavam seus anúncios  à empresa radiofônica em questão.

— Alô, é o gerente? Aqui é Pedro Luiz, diretor de jornalismo da Super Rádio Vitória. É que morreu uma ouvinte nossa, ela é de família muito pobre na periferia da Grande Vitória. Então, meu prezado, estamos fazendo uma “vaquinha” para comprar o caixão. Nós agradecemos diante de qualquer quantia que o Sr. possa colaborar e que Deus, em sua infinita bondade, lhe pague pela conspícua gentileza.

— Pois não, pode mandar alguém passar aqui e pegar comigo, dizia o comerciante do outro lado da linha.

Sem mais delongas, Pedro chamava o “Xinguinha”, o boy voluntário da rádio, e o encarregava de sair arrecadando os donativos. O rapazinho sempre voltava com os bolsos cheios.

Pedro Luiz, que não gostava de tomar banho e ficava apenas na base do perfume (tinha vários na gaveta), gratificava o “Xinguinha” com qualquer quantia. Ato contínuo, já no fim do expediente, corria para os botecos no centro da cidade e enchia o chifre na água que passarinho não bebe. Certa ocasião ligou para o mesmo comerciante um dia após ter recebido dele uma boa quantia para o “enterro” de uma ouvinte.

Desconfiado da tramóia, o distinto, um cearense radicado no Espírito Santo,  questionou: — Oxente! mas todo santo dia morre um ouvinte dessa radia e ocêis é  obrigado a comprar o caixão? Isso tá me cherano a mutreta, sêo minino. Pedro tentou desculpar-se dizendo que estava havendo “um mal entendido.” Com medo de que o caso fosse descoberto pelo alto comando da emissora, ficou mais de um mês sem “matar” nenhum ouvinte.
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Maldita internet

Li num site que cientistas britânicos descobriram que as gerações modernosas estão tendo quarenta por cento menos relações sexuais do que nossos pais e, por isso, preveem um futuro com menos trepadas e mais horas sozinhos na internet. “Assim não dá pra ser feliz, filho. Esses jovens são uns estraga phoda, uns pela saco”, diria minha sapeca e saudosa vovozinha.  
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Useiros e vezeiros

Os tais “cantores” inventados pela mídia invadem até mesmo eventos tradicionais no país como é o caso da Festa de Iemanjá, no Rio Vermelho, em Salvador, amparados pela “diversidade cultural”. Esses cabras estão matando a verdadeira cultura brasileira com seus ritmos medíocres, num processo de idiotização e charlatanismo jamais visto em nossa história musical.
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Vaca estilosa

O distinto animal faz sucesso  na internet após invadir um shopping em “Belzonti”. Não resta dúvida, a capitá mineira é mesmo uma roça grande.
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Rua muitcho doida


São Paulo tem de tudo que as outras cidades brasileiras não tem. Até uma rua cujo inusitado nome é “Borboletas Psicodélicas”. Tai, uma ótima sugestão para a inoperante prefeitura de Juiz de Fora. Que tal batizar uma das vias públicas do município com algo do tipo “Rua Buracos Psicodélicos”?
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A Bossa Nova vive



Apesar do calor escaldante, voltamos ao Rio de Janeiro neste fim de semana para continuidade do documentário sobre a Bossa Nova que estamos gravando desde setembro do ano passado na Zona Sul carioca.