sexta-feira, 21 de março de 2014

Polícia X bandido; qual é o mais perigoso?


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
cacarejadavirtual/


>> Juiz de Fora passa por uma onda de violência sem precedentes em sua história. Diariamente são registrados dezenas de assaltos a mão armada, arrombamentos, assassinatos, troca de tiros entre gangues de traficantes rivais, estupros e até roubo de armamentos pesados e munição em unidades do Exército na cidade.

Nesses últimos dias, centenas de policiais civis e militares vem ocupando bairros considerados problemáticos na tentativa mais de impressionar a opinião pública do que tirar de circulação os foras da lei.

A incursão conta com apoio do helicóptero Pégasus, da Polícia Militar, cães amestrados, motos e dezenas de viaturas. Moradores de bairros populares denunciam que há abuso de autoridade e truculência por parte da polícia.

“Eles já chega dano porrada, moço. Mas esses porra lôca só bate nos trabaiadô. Os homi caga nas carça de medo dos bandido”, disse-nos o morador de um dos bairros ocupados que pediu para ficar no anonimato.

Na Vila Olavo Costa, dois “de menor” apedrejaram uma viatura da PM da manhã desta quinta-feira (20) — destruindo completamente o vidro traseiro do veículo, conforme imagem feita pelo jornal Tribuna de Minas.

No último fim de semana, policiais militares foram recebidos a bala no bairro Milho Branco. A população, que "acredita" tanto na polícia quanto "confia" nos políticos, está cada vez mais insegura diante do clima de terror estabelecido.

Sair de casa em Juiz de Fora passou a ser uma atividade de risco. O perigo está nos quatro cantos da cidade. Na esquina mais próxima o transeunte pode ser surpreendido, inclusive, por uma saraivada de balas perdidas ou levar um cacete na nuca de algum policial selvagem. 

Abra-te, tampa

Nesta guerra urbana de proporções alarmantes e imprevisíveis, um fato curioso ocorreu no meio da semana na periferia da cidade. Ao ser preso por policiais militares e trancafiado no camburão com destino ao xadrês, um assaltante questionou: “Ô Sêo Sargento, será que a tampa desse barato num vai abri não?”.

O bandido temia ser vítima de algo idêntico ao ocorrido em Madureira, na Zona Norte do Rio, com uma trabalhadora mãe de família fuzilada durante tiroteio entre traficantes e policiais e arrastada feito bicho pelas ruas após ser jogada na viatura da PM.

A tampa bem que poderia abrir toda vez que um bandido perigoso (ladrão, latrocida, traficante, estuprador, pedófilo, etc) fosse preso, o que raramente ocorre diante da inércia das autoridades. Mesmo assim, quem sabe eles não botariam os pentelhos de molho? Salve-se quem puder.
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