quinta-feira, 10 de abril de 2014

Atenção, Brasil; roubaram minhas galinhas!


Por Marcos Niemeyer


>> Os jornais desta quinta-feira (10) noticiam que o roubo de duas galinhas conseguiu ultrapassar as mais altas esferas da justiça brasileira e acabou na pauta do Supremo Tribunal Federal, a corte mais relevante do país e que custa aos cofres públicos, no mínimo, 500 milhões de reais anualmente.

O protagonista do episódio tem o “sugestivo” nome de Afanásio Guimarães e mora na localidade de Rochedo de Minas, cidadezinha de 2 mil almas localizada a pouco mais de cinquenta quilômetros do centro de Juiz de Fora. Em maio do ano passado, o sujeito invadiu o galinheiro do vizinho e surrupiou um galo e uma galinha.

Quatro meses depois, a denúncia foi aceita pela Justiça de São João Nepomuceno, município também localizada na Zona da Mata mineira. Encarregado de analisar a liminar que extinguisse o processo, Luiz Fux — ministro do STF, disse que o caso “será julgado mais para a frente, em caráter definitivo.”

Consta que na agenda do Supremo há  insignificâncias já avaliadas de furto de xampu, sabonete, papel higiênico, latas de cerveja e, (pasmem!) até o caso de um vibrador tamanho GGG que a funcionária de um sexshop de Brasília colocou por “descuido” em sua bolsa. Uma verdadeira falta do que fazer por parte dos ocupantes do STF, ao permitirem que algo dessa natureza chegue até aquela casa. 

Caso não seja agilizada com urgência uma grande reforma no judiciário brasileiro, o país vai continuar na dependência de processos relevantes se arrastando por décadas nas instâncias superiores enquanto fatos insignificantes, a exemplo do roubo das galinhas tenha ampla prioridade entre os ocupantes da Corte.

Não é preciso ter bola de cristal para perceber que os três poderes não são dignos de confiança por parte da opinião pública. O Executivo não administra nem os próprios pentelhos, o Legislativo está atolado até o pescoço em denúncias de corrupção e o Judiciário, por sua vez, cerra as retinas quando deveria fiscalizar e botar ordem no tatame. Se avexem! Nem o puleiro das benditas penosas carece de tanta faxina.
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