domingo, 6 de abril de 2014

Comentarista esportivo extrapola no tom do discurso


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
cacarejadavirtual/


>> Após assistir ao vídeo postado no YouTube, confesso que decidi rever meus conceitos em relação ao caso Lélio Gustavo. O comentarista esportivo mineiro, demitido da Rádio Itatiaia após o infeliz comentário feito no programa “Esporte News” —  da TV News/ Belo Horizonte —  sobre o jogador do Atlético, Neto Berola,  passou dos limites toleráveis durante uma sessão de xingamentos sem precedentes na história da crônica esportiva brasileira.

Usando palavras de baixo calão, Lélio surtou diante das câmeras única e exclusivamente para defender o amigo dele, Bob Faria, comentarista esportivo da Rede Globo/Minas que anteriormente tinha sido criticado por Berola, em sua página do Facebook.

O jornalista também teceu críticas ao Vitória da Bahia, clube que cedeu o jogador ao Atlético, chamando a equipe de "time de merda". O vídeo chegou a mais de cem mil visualizações em menos de 48 horas. A diretoria do Vitória anunciou que vai adotar medidas judiciais contra a atitude do comentarista.

Lélio Gustavo teria sido demitido da Rádio Itatiaia, onde atuava há cerca de vinte anos, por ordem expressa do presidente do Atlético, Alexandre Kalil, segundo me relatou uma fonte fidedigna ligada à empresa radiofônica.

Encurralado, Emanuel Carneiro, o dono da emissora, certamente imaginou: "Se esse cabra desembestado xinga virulentamente e perde as estribeiras na TV vai fazer o mesmo na minha rádio. Uai sô, o jeito é botar pra correr antes que o pior aconteça."

Veja o desastrado comentário:


Lélio Gustavo, tido como um dos “melhores” comentaristas da crônica esportiva mineira, é reincidente em baixar o nível em seu programa de TV. Em maio do ano passado, ele atacou verbalmente uma jornalista e um comentarista chamando-os de “perua”, “galinhona”, “idiota” e “imbecil”, respectivamente.

O jovem repórter parece ter confundido a livre manifestação de pensamento, garantida pela Constituição Federal, com algo impensável para um programa esportivo transmitido em plena manhã para milhares de telespectadores.

Os verdadeiros grandes comentaristas do futebol jamais falariam qualquer coisa tão rasteira diante dos microfones ou câmeras. Diferentemente da palavra escrita, que pode ser considerada “tolerável” diante de certas expressões chulas, o poder da língua falada costuma gerar um efeito mais impactante e imediato. Lélio Gustavo foi vítima dos próprios excessos verborrágicos em nome da “liberdade de expressão”.

Deu com os burros n’água. Que sirva de lição para que o distinto não crie escola e transforme o pouco aproveitável da televisão brasileira em cenas cada vez mais degradantes e abomináveis.
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