terça-feira, 20 de maio de 2014

Quem acredita nesse cancro conhecido por "TV Revolta"?


Postado por Marcos Niemeyer


Nota deste blog: Vale a pena refletir criticamente sobre esses compartilhamentos que pipocam no já quase intolerável Facebook. Eu, por exemplo, desconfiei desde o início dessa tal "TV Revolta", espaço virtual ejaculado por um cabuloso radialista de São Paulo — João Vitor Almeida Lima, o “João Revolta”. Até um peido que o cabra dispara na referida página incautos internautas reverberam nas chamadas redes sociais. Digo que oitenta por cento ou mais dos que acessam a internet (principalmente o Facebook) são incapazes de gerar conteúdo de própria autoria. Simplesmente acham "engraçado" ou "interessante" e colocam os dedões em Ctrl+C, Ctrl+V. Incrível como o brasileiro deixa se manipular por informações fabricadas nos porões dos embromations. OBS: Não defendo o PT (principal alvo dos ataques) nem tampouco qualquer outro partido (todos eles mentirosos e enganadores), mas a indigesta "TV Revolta" chega a ser pior do que eu imaginava.

Por que se fala tanto na “TV revolta”, fenômeno da pregação de ódio seletivo na internet

Por Kiko Nogueira*

“Ponha um cretino fundamental em cima da mesa e você manda ele falar, ele dá um berro e, imediatamente, milhares de outros cretinos se organizam, se arregimentam e se aglutinam”, disse Nelson Rodrigues. “O cretino fundamental raspava a parede da sua humildade e na consciência da sua inépcia.

Mas, agora, conseguiram finalmente pela superioridade numérica. Porque para um gênio, você tem um milhão de imbecis.” João Vitor Almeida Lima, sonoplasta barbudo da rede Bandeirantes, é o criador da chamada TV Revolta, que virou notícia pela quantidade de seguidores.

Ele tem um canal no YouTube e uma página no Facebook com quase 3 milhões de curtidas em que o que faz é reverberar ódio patológico. É um fenômeno de audiência. De cima de seu banquinho, Lima conseguiu reunir uma multidão de gente como ele, supostamente indignada com “tudo isso que está aí”.

Aparece em vídeos babando na gravata, falando palavrões, batendo na mesa, despejando sua intolerância mortal — seletiva, claro. Há memes, ilustrações, frases, o que for. Deságua nos Grandes Satãs: o PT, Lula e Dilma. Não entra nada sobre nenhum outro partido.

No meio da ignorância, das ofensas e das simplificações, aparecem posts sobre cães abandonados, com ameaças aos donos que cometem essa crueldade, e frases de auto-ajuda. Lima usa um alter ego, “João Revolta”, para gravar seus depoimentos. João é, em sua descrição, um “rapaz de 30 e poucos anos indignado com o sistema global”.

Recentemente, ele afirmou que foi denunciado no YouTube e sua conta suspensa por alguns dias. Voltou mais animado ainda, desta vez alegando que foi censurado pelo governo. Governo comunista, claro. A raiva online polui o ambiente da internet e se espalha de maneira viral.

A página do Guarujá Alerta é um exemplo das consequências desse tipo de mentalidade num ambiente já envenenado. Qual o limite? O Facebook, sempre pronto a retirar do ar fotos de Scarlett Johansson, permite que abjeções como a TV Revolta continuem a mil. 

Essa violência virtual é compartilhada por 3 milhões de cidadãos. Christopher Wolf, diretor de uma entidade internacional especializada em combater discursos de ódio na net, disse uma vez que o “Holocausto não começou com câmaras de gás. Tudo se inicia com palavras e estereótipos”. Sob esse ponto de vista, a TV Revolta está no caminho certo.

*Kiko Nogueira é diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.
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