sexta-feira, 16 de maio de 2014

Uma droga chamada futebol


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
cacarejadavirtual/


>> Faltando pouco menos de um mês para o início da tal Copa do Mundo no país, aumenta o descontentamento de milhões de brasileiros contra essa ignorância tida como o esporte mais popular do planeta em função dos gastos bilionários para a construção de suntuosos estádios de futebol, enquanto as mazelas sociais e a falta de investimentos em setores básicos a exemplo da saúde, educação, segurança e transporte se alastram feito formiga no pote de açúcar.

Ao contrário das copas anteriores, dessa vez — pelo menos até agora — não se vê o povo empolgado a enfeitar e colorir casas, muros e ruas com as cores verde e amarelo.

Não sou antipatriota. No entanto, perder o sono por causa de futebol acho uma tremenda falta de bom senso. Afinal, ganhando ou não, esses jogadores  —  que em sua maioria mal sabem rabiscar o próprio nome  —  já estão com os burros na sombra.

Ora, não é precisa ser sociólogo ou especialista no assunto para perceber que o futebol tem sido usado nas últimas décadas pelos políticos brasileiros como um instrumento de manipulação ideológica e social. Foi assim durante o regime militar e não tem sido diferente no governo petista.

Na copa de 2006, disputada na Alemanha, fui convidado para participar de uma mesa redonda sobre o evento numa importante emissora de rádio mineira em que eu atuava no departamento de jornalismo.

Após falar sobre meu descontentamento e desprezo pelo fanatismo e a hipocrisia em torno do “escrete canarinho” diante de milhares de ouvintes, resolvi também arriscar o placar: — essa seleção de vocês vai ser eliminada pela França por 1 X 0 nas quartas de final. Não deu outra! Acertei na mosca.

Uma semana depois fui demitido da emissora sob o argumento de “contenção de despesas”. Desempregado, simplesmente por falar a verdade e mostrar minha indignação diante de algo que jamais pude concordar, comi o pão que o diabo amassou com o rabo já que passei a ser visto como “maldito” e “pé frio” nas redações por mim frequentadas.

Por outro lado, recebi também mensagens de apoio por parte de alguns ouvintes cuja linha de pensamento não é diferente da minha no que diz respeito ao futebol. Sei que é preciso coragem para assumir tal postura. Afinal, tenho muitos amigos que atuam na crônica esportiva brasileira. Alguns, aliás, passaram a me evitar após meu depoimento de viva voz no rádio.

Não me intimidei, porém. Continuo a defender meu ponto de vista e torcendo mais uma vez para que essa bosta que os fanáticos chamam de “Seleção Brasileira” seja escorraçada da competição por um de seus adversários.

Só assim ficaremos livres, pelo menos temporariamente, da estupidez coletiva que transforma analfabetos em autênticas celebridades numa nação onde importantes demandas sociais não recebem o devido tratamento por parte dos governantes.

Futebol, sem sombra de dúvida, é uma droga tão potente que consegue até mesmo paralisar o país. Dessa vez, no entanto, o efeito vem gerando surpreendente revolta popular — algo inédito na tal "pátria de chuteiras".
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Classificados 

Costumo ler os classificados dos jornais para ver as pérolas de alguns anúncios. Na seção de sexo, por exemplo, que fica bem ao lado das mensagens religiosas, há todo tipo de machos, fêmeas & travestis fazendo uso de sua estratégia de marketing. 

Veja essa, cujo título do anúncio é: “especialista em atear fogo nos lençóis" —  Loira, 25, csd, bbg e emp, tsd, an, or, tpt c/ft e muito +. 200 h c h mcd. Fone: (21) xxxx. 

TRADUÇÃO: bumbum grande & empinado, tesuda, anal, oral, topa tudo & muito mais. Duzentos reais a hora com hora marcada.

Uma outra figura desses tempos duvidosos publicou no principal jornal de Juiz de Fora: Bm cas, es chrna, ad fil + mard. Ts não m fta. Levo qer hm estr. M gst de pres tudo e diz q fco linda qdo tran. c/ outro hme. 300 rs/ com h m.

TRADUÇÃO: Bem casada, estilo cachorrona, adoro meus filhos e marido. Tesão não me falta. Levo qualquer homem às estrelas. Meu marido gosta de presenciar tudo e diz que fico linda quando transo com outro homem. 300 reais com hora marcada. F: (32) xxxx. Detalhe interessante é que todas as periquitas & travestis que se vendem nos jornais se dizem “loiras”.
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Cruz credo 

Um sexshop modernoso de Juiz de Fora anuncia nas redes sociais a tal boneca inflável que "faz barba, cabelo & bigode" &, de quebra, "beijo grego e fio terra". Dizem que o brinquedinho está vendendo mais do que pipoca em porta de circo. "Isso num é trem de cabra macho, filho!", diria meu saudoso vovozinho.
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Meu ouvido não é penico 

A qualidade musical das FMs brasileiras é cada vez mais indigesta. Nunca se ouviu tanta asneira na história da radiodifusão. Na Europa e nos Estados Unidos, também existem emissoras banais. A grande diferença, porém: no primeiro mundo — o ouvinte, culto e exigente — não aceita essas mediocridades sonoras que afrontam night and day a franciscana paciência dos tímpanos mais evoluídos. Recentemente um grupo de estudantes de jornalismo de uma faculdade de Juiz de Fora fez uma enquete nas ruas da cidade sobre "qualidade musical". Pediram minha opinião e eu disse tudo o que penso a respeito do assunto. Fui tachado de "velho", "arcaico" e "preconceituoso".
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