domingo, 1 de junho de 2014

Da bananeira ao tal do Feice Buque


Por Marcos Niemeyer


>> As crenças e tradições andam mesmo em baixa nesses tempos modernosos. Houve uma época em que na noite de Santo Antônio (13 de junho) as donzelas esperavam dar meia-noite para fincar uma faca peixeira na bananeira mais próxima  —  antigamente toda casa tinha pelo menos um frondoso pé de banana nos fundos do quintal.  Diziam os mais velhos que o santo casamenteiro desencalhava até as tímidas, descamisoladas ou sem sorte no amor. 

Acreditavam que o caule da bananeira grudado na lâmina gravaria a identidade do "sortudo" assim que o galo anunciasse o raiar do dia. De fato, o visgo naturalmente ejaculado no objeto cortante parecia deixar algo escrito, mas tão indecifrável quanto aos rabiscos rupestres das cavernas milenares. 

Na família, porém, sempre havia um mais iluminado que "enxergava" o que os outros careciam de atenção para entender. E era um tal de comprar faca na venda mais próxima — tinha que ser uma "arma branca" novinha em folha — pois só assim é que Santo Antônio "atenderia" aos incontáveis pedidos das moças virgens, algo tão difícil atualmente quanto fazer frio lá pelas bandas do Ceará. 

Maria José, 65 anos, minha irmã mais velha, espetou em sua linda e romântica juventude dezenas de facas até nas bananeiras dos vizinhos para ver se o bom santo ouviria suas preces. Parece que o dito cujo não encontrou as lâminas dela.

Zezé nunca casou, só namorou, porém, não se enrolou nem se enrascou. Está uma coroa bonita e estilosa, dessas que fazem marmanjos suspirar em plena luz do dia. Quem sabe o santo casamenteiro ainda não resolve atender à súplica dela após cinco longas décadas?

Há pouco tempo, Maria e eu conversamos sobre esse mesmo tema. Lembramos das fogueiras juninas, das cantigas e brincadeiras de roda, dos balões a colorir o céu, das batatas doce assadas na brasa e tantas outras saudáveis tradições que perderam-se com a evolução ditada pelos novos tempos.

 — Você se lembra quando as moças casavam-se virgens? Em mil novecentos e antigamente as meninas eram proibidas de "pensar naquilo" antes de subir ao altar. Até para o pretendente ver o joelho delas era difícil, proseou a querida mana.

 — Claro, respostei. Os mais atrevidos que tentavam passar dos limites acabavam sumariamente escorraçados pela família da cabrocha. Isso quando o infeliz não levava uma baita surra com vara de marmelo.

Hoje, está tudo mudado. O momento é das periguetchys. Elas plantam a "bananeira" e rifam o coração dos ficantes no tal do Feice Buque. Mas nunca ouviram falar do santo casamenteiro. E como atendê-las com um love autêntico, se Santo Antônio não tem celular nem computador?

E para aquelas cinquentonas esperançosas que ainda acreditam nos milagres de "Santantoin", aqui vão duas simpatias infalíveis para desencalhar de vez.

01) Logo na manhã do dia 12 de Junho, véspera de Santo Antônio, compre um metro de fita azul, de qualquer largura, e escreva nela o nome completo da pessoa amada. Guarde a fita junto ao seu coração. À noite, conte 7 estrelas no céu, e enquanto isso faça um pedido ao santo, para que ele ajude você a conquistar o coração dessa pessoa. No dia seguinte, amarre a fita aos pés da imagem de Santo Antônio e deixe lá, até conseguir encontrar um namorado. 

02) Abra a porta da frente da casa para que Santo Antônio permita a entrada de alguém especial na sua vida, dizendo: "Santo Antônio, protetor dos namorados, faça chegar até esta humílima criatura aquele que anda sozinho e que em minha companhia será feliz." Você pode ainda acender uma vela rosa de qualquer tamanho em um pires com mel e pedir a Arcanjo Haniel a verdadeira realização afectiva. É tiro e queda. Boa sorte, pois!
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