terça-feira, 24 de junho de 2014

Vai um 12 years aí, 'Sêo Dotô'?


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
cacarejadavirtual/


>> Ostentando qualidade de vida acima da média em relação às principais capitais brasileiras e, mesmo considerada proporcionalmente uma das regiões metropolitanas mais violentas do país, Vitória, no Espírito Santo, se destaca também como o paraíso da falsificação.

No que diz respeito à pirataria, a ilha de pouco mais de 300 mil habitantes é um mar aberto. Ali, para quem não sabe, se faz o mais “autêntico” uísque 12 anos do mundo. Nem o fabricante original consegue imitar. O negócio funciona de maneira artesanal, porém, através de uma incrível maratona.

Garrafas vazias da bebida são adquiridas dos catadores de papel, instruídos para “pescar” o vasilhame nas lixeiras dos bairros nobres. Caso o material esteja impecável, cada unidade é comprada entre cinco e dez reais. Se tiver com a embalagem, melhor ainda. 

Também são feitas incursões diretamente com os porteiros dos edifícios elegantes que fuçam as lixeiras à procura do material e visitados todos os ferros-velhos da cidade, para onde é transportado grande parte do lixo recolhido na capital.

Os agenciadores ainda passam as madrugadas em porta de boates para comprar as garrafas que os garçons e faxineiros recolhem durante o expediente.

O mais impressionante seria a fórmula para a fabricação do produto: de posse de um uísque barato, despeja-se uma parte no litro original, meio copo de guaraná, uma colher grande de urina, uma colher grande de cuspe e uma pitada de pó de pemba (que muitos acreditam ser osso moído de defunto) e... tá pronto!

Entendidos no assunto dizem que depois de três doses na cuca o sujeito se sente no “paraíso”. Os bacanas ingerem o destilado achando que estão a saborear um Johnny Walker Black diretamente do Duty Free do Galeão, Paris, Londres ou New York.

Teve um “colunável” capixaba que após devorar várias doses da exótica mistura parafraseou o poeta Vinicius de Moraes dizendo: “O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado.”
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