sexta-feira, 25 de julho de 2014

Cartinha de amor violada


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Conversávamos recentemente com um funcionário dos Correios em Juiz de Fora, sobre a música ECT  composta por Nando Reis, Marisa Monte e Carlinhos Brown e interpretada por Cássia Eller.

"Apesar de bonita, a canção coloca em dúvida a ética do funcionário de uma das mais sérias instituições do país que são os Correios. É inadmissível que uma correspondência, conforme sugere a melodia, seja por nós violada", disse o interlocutor.

A canção conta a história de uma mulher que, impaciente pela demora na entrega da sua encomenda, vai aos Correios na tentativa de encontrá-la. Chegando ao local, ela flagra o carteiro lendo a mensagem que deveria ter sido entregue em sua residência.

O moço toma um susto ao ser pego violando a missiva e recebe um aviso: “Esse recado veio pra mim, não pro senhor”. O carteiro tenta se explicar dizendo que recebe todo tipo de correspondência e por isso abriu o envelope. A mulher, por sua vez, diz que aquilo é muito pessoal pois é uma carta de amor que interessava só à ela.

Dona da carta: Tava com cara que carimba postais/ Que por descuido abriu uma carta que voltou/ Tomou um susto que lhe abriu a boca/ Esse recado veio pra mim, não pro senhor.../

Carteiro: Recebo craque colante, dinheiro parco embrulhado/ Em papel carbono e barbante/ E até cabelo cortado, retrato de 3x4 pra batizado distante.../

Dona da carta: Mas, isso aqui, meu senhor/ É uma carta de amor/ Levo o mundo e não vou lá/ Mas esse cara tem a língua solta/A minha carta ele musicou/ Tava em casa a vitamina pronta/ Ouvindo no rádio a minha carta de amor.../



Não conseguimos entender foi o trecho da melodia que fala sobre a tal 'vitamina pronta'. Seria um amor fisicamente presente e já em ponto de bala, desses que a gente perde o juízo diante de tanto prazer? Sexo precisa mesmo ser bem caprichado, tipo uma vitamina com todos os ingredientes. 

O diferencial, porém, é mesmo o efeito liquidificante. Quanto às cartas de amor, bem... essas estão cada vez mais escassas. Os jovens de hoje não sabem o que é isso. As velhas e saudosas cartinhas foram substituídas por mensagens mal escritas via e-mail, Facebook e mais uma série de parafernálias dos novos tempos.

Duvidamos que algum carteiro, que não seja o da música, ainda encontre em sua bagagem versos endereçados ao coração esperançoso cujo remetente tenha escrito com letras trêmulas de amor: "Eu te amo"!
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