sábado, 30 de agosto de 2014

Novos finados amores


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> A implacável frase "Que seja eterno enquanto dure", escrita por Vinicius de Moraes, em "Soneto da Felicidade", torna-se cada vez mais realidade. Afinal, o casamento — instituição praticamente falida — deixou apenas lembranças amareladas pelo tempo.

O verbo ficar é o menos incorreto nessas décadas modernosas. Caso não haja evolução das afinidades, é só descartar. "Me juntei com ele, mas sei que não vai durar muito tempo" — ouvi uma mulher de meia-idade dizer pelo celuloso.

Oxente, mas também pudera. Fêmea pra se divertir é o que não falta. Periguetchys — também chamadas de "Sandálias Havaianas", já que todo mundo usa  multiplicam-se espantosamente em qualquer esquina. Mas afinal, e o amor romântico? "Não existe mais. Pagar por sexo é melhor", arrisca Chester Brown, um dos ícones das HQs modernas, em um relato cheio de detalhes provocativo e irreverente da sua experiência com prostitutas.

Houve um tempo em que os apaixonados só se completavam com a suposta perfeição. Para o relacionamento dar certo, o casal tinha que ter os mesmos gostos, sonhos e ideais. Agora, não se pode criar nem expectativas razoáveis.

A troca de parceiros virou rotina. Há os que casam e vivem em lares separados, mulheres mais velhas penduram-se no pescoço de homens mais novos e até a união de homens com homens e mulheres com mulheres não é mais segredo. Tudo, porém, tão incerto quanto honestidade de político.

Sem contar que a figura do corno conformado cada vez aumenta mais. O cabra sabe que a mulher não se satisfaz com um só. Mas cala o bico e torna-se manso como um carneirinho, pois tem medo de levar um ponta pé na bunda. Homem apaixonado (não confundir com os poucos amores que restam) é phoda. Fica mais abestalhado do que cachorro vira-lata quando cai do caminhão de mudança.
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AUDITÓRIO MUSICAL GERALDO PEREIRA É DESTAQUE NA UFJF 


O espaço artístico criado pela Universidade Federal de Juiz de Fora com o nome de Geraldo Pereira é uma justa homenagem à memória do expressivo compositor (foto). As novas gerações desconhecem que o artista — natural de Juiz de Fora e radicado no Rio de Janeiro — foi um importante nome na história da MPB. Composições de sua autoria (a exemplo de “Falsa Baiana”, “Acertei no milhar”, “Escurinha”, “Sem compromisso”, “Pisei num despacho” e “Bolinha de Papel”, entre outras não menos notáveis) ficaram imortalizadas através das vozes de Gal Costa, João Gilberto, Zizi Possi e outras relevantes figuras da música brasileira. Geraldo Pereira morreu pobre e praticamente marginalizado, após envolver-se numa briga com o indigesto travesti "Madame Satã" na Lapa, região boêmia, no centro do Rio. O compositor deixou alguns parentes em Juiz de Fora. Uma neta dele tem um carrinho de pipoca no centro da cidade.
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