quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O trem pode até ser 'bão'; mas vai acabar com tradições seculares


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> O novo trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) acaba de ser inaugurado. Segundo a mineradora Vale — administradora da ferrovia, foram investidos mais de oitenta milhões de dólares na nova frota, o que permitirá o embarque e desembarque de passageiros em 30 pontos ao longo do percurso entre Belo Horizonte e Vitória, no Espírito Santo.

Segundo a Vale, fabricados na Romênia, os vagões seguem padrões europeus de qualidade, (aliás, quem disse que a Romênia é um país que prima pela qualidade?), possuem restaurante e lanchonete insuspeitáveis, facilidade para transporte de cadeirantes, tomadas para carregamento de celulares e notebooks, entre outras inovações e aperfeiçoamentos.

Por outro lado, a implacabilidade dos novos tempos costumam atropelar até mesmo tradições seculares. O modernoso trem da Vale, por exemplo, vai extinguir o comércio das vendedoras de cocadas, bolinhos de milho e polvilho, sacolas de manga e outros atrativos ao longo da linha férrea, principalmente em pequenas localidades como Tumiritinga, um pouco abaixo de Governador Valadares — no sentido do litoral capixaba. 

Com todos os vagões tendo suas janelas hermeticamente lacradas por conta do ar-condicionado, as nativas não terão como oferecer suas mercadorias durante a parada para embarque e desembarque dos viajantes. Sem contar que não será mais possível sentir o vento na cara e o cheiro de mato ao longo do percurso.

Os indefectíveis bate-papos entre os passageiros também estão ameaçados. Diante de dezenas de telões (com o merchandising da Vale, obviamente, em sua maior parte) e opções para ligar a parafernália eletrônica, as resenhas vão ficar cada vez mais distantes.
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BAILE CHARME

Juiz de Fora ganha linha direta para o “Baile Charme” — realizado aos sábados, a partir das dez da noite, sob o Viaduto de Madureira, na Zona Norte do Rio. A ideia partiu do radialista Douglas Polato, um dos responsáveis pela excursão e incansável incentivador da boa música.


Além de eventos semanais e premiações, o espaço no subúrbio carioca já recebeu diversas atrações nacionais e internacionais, a exemplo de Ed Motta, Sandra de Sá, Racionais MCs, Criôlo, Hyldon (autor de na Rua, na chuva, na fazenda...), Chingy, Montell Jordan, Darrius, Rah Digga, Negra Li, Quelynah, Nina Black, Sampa Crew, Dughettu, entre outros nomes não menos importantes da Black Music. Veja o clipe de uma das melodias a rolar no Baile Charme.



DETALHE IMPORTANTE: No Baile Charme não tem pancadaria, nem tiroteio. Não há espaço para os foras da lei, nem tampouco para sonoridades de qualidade duvidosa. O público é civilizado e os artistas correspondem à altura.
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CUMEQUIÉ???

Vejam só o nome da "música" que está fazendo sucesso numa FM popularesca de Juiz de Fora, a mais "carioca" das cidades mineiras: "EU QUERO ROLA, MEU BEM!" —. A coisa é vomitada por um tal grupo de funk nativo denominado "Bonde das Raspadinhas". O objetivo, segundo as integrantes da laia, é tocar em todo o Brasil. "Assim não dá pra ser feliz, filho!" — repetiria pela milésima vez minha saudosa vovozinha.
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JUIZ DE FORA TEM SENSAÇÃO TÉRMICA DE ZERO GRAU 

Nas duas últimas madrugadas, os termômetros instalados no Campus da UFJF registraram a incrível marca de ZERO GRAU. E o vento gelado do caraio assovia sobre a cidade feito lobo faminto em noite de lua cheia. Os solteiros e desxavascados sofrem com essa temporada invernosa. É como tomar um pontapé na bunda desferido pela cara-metade.
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