sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Um dia triste para a história da MPB


Por Marcos Niemeyer


>> A MPB está de luto com a morte na tarde desta quinta-feira (21), no Rio de Janeiro, da cantora Cybele (primeira à esquerda), do Quarteto em Cy — o mais importante grupo vocal feminino do país.

Cybele Ribeiro de Sá Leite Freire, 74 anos, era baiana de Ibirataia. A artista sofreu uma isquemia pulmonar em sua casa. O enterro foi no início da tarde desta sexta-feira (22), no cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul  carioca.

Cybele formou o grupo vocal com as irmãs Cyva, Cynara e Cylene. Originalmente conhecido como "As Baianinhas", começaram a se apresentar no final da década de cinquenta, nos estúdios da TV Itapoã e da Rádio Sociedade da Bahia, em Salvador.

Em 1963, o quarteto gravou a trilha sonora composta por Pixinguinha e Vinicius de Moraes para o filme "Sol sobre a lama", de Alex Viany. Pouco tempo depois, o grupo estreou no Rio, no Bottle's Bar, espaço noturno localizado no antológico Beco das Garrafas, em Copacabana.

As artistas tornaram-se nacionalmente conhecidas ao participar do disco de Dorival Caymmi "Caymmi and The girls from Bahia", de 1964. Juntas, interpretaram magistralmente obras musicais dos mais importantes compositores brasileiros. Em 1967, Cybele afastou-se do conjunto e, juntamente com a irmã Cynara, formou a dupla Cynara e Cybele, cuja parceria acabou em 1968.

No Terceiro Festival da Canção, interpretando "Sabiá", de Tom Jobim e Chico Buarque, elas superaram Geraldo Vandré e "Pra não dizer que não falei das flores", hino contra a ditadura militar. Mesmo com a sonora vaia do público pela derrota de Vandré no evento, o compositor fez um apelo de viva-voz para que "Sabiá" fosse aclamada por sua relevância musical. 



Cybele Ribeiro foi também a dubladora oficial da voz de Branca de Neve, além de cantar no filme homônimo de Walt Disney. No início da década de setenta, gravou um compacto duplo lançado com participação do grupo de jazz Terra Trio.

Durante dez anos ela integrou o Coral da TV Globo (época em que a emissora respeitava as boas sonoridades) retomando sua participação no Quarteto em Cy  sendo integrante do grupo até o ano passado  quando abandonou de vez os palcos alegando que precisava se dedicar mais à família.

Cybele, sem dúvida, foi uma das maiores expressividades dos festivais de música brasileira, num tempo em que havia até torcidas organizadas por conta da então inconteste qualidade das canções que tocavam no rádio, na TV, nos eventos e festas populares e, diferentemente de hoje em dia, até na casa do vizinho.
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