segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Risque my name


Postado por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
facebook/


>> Em um passado recente, o jornalista carioca João Carlos Viegas escreveu interessante artigo em sua página do Facebook sobre a indelével canção "Risque", do genial compositor Ary Barroso. Ao contrário dos dias atuais, em que as canções carecem de riqueza poética e do lirismo de outrora, a melodia de um dos mais notáveis compositores da MPB se traduz elegante até mesmo na hora da derradeira súplica de uma paixão que o destino achoou por bem dilacerar impiedosamente.

Por João Carlos Viegas 

Embora ‘Aquarela do Brasil’ seja um hino nacional, não oficial, a música de Ary Barroso que mais gosto é ‘Risque’. Também me encanta ‘Caco velho’, composição pouco conhecida dele. Mas, ‘’Risque’ — na voz de Dorival Caymmi, Linda Batista e Ângela Ro Ro — é uma obra maravilhosa. Na letra, o amante pede: “Risque meu nome do seu caderno...”.

Nesses tempos de agenda eletrônica e memória digital, tem gente que sequer imagina o que esse pedido representa. Equivale ao hoje: “me deleta... me exclui... não me add mais...” Naquele momento, para mostrar que estava tudo acabado, vinha a afirmação de que jamais fariam as pazes: “Risque meu nome do seu caderno, pois não suporto mais o inferno do nosso amor fracassado.”

Não, não apague com borracha porque fica a marca no papel. Risque bem riscado para que o nome fique bem ilegível e o contato inutilizado. Por incrível que pareça, existia um caderninho no qual escreviam-se nomes, telefones e endereços. Mas não endereço ‘ponto com’. Era rua tal, número tal, apartamento tal. De vez em quando podia até pintar ‘casa 10’, indicando que a pessoa morava numa vila. Ainda existem vilas cercadas por edifícios e assediadas por construtoras.

No tempo quando se escrevia em cadernos, Ary Barroso compôs ‘Risque’, música em cujo final, para reafirmar o rompimento amoroso, a letra diz: “Creia, toda quimera se esfuma. Como a beleza da espuma que se desmancha na areia.” Quer dizer, toda ilusão se desfaz no ar igual à espuma que some na beira da praia. A letra dessa melodia merece estar gravada no disco rígido, no CD, no pendrive e — se tiver um caderninho — anote e não risque nunca.
....

QUALIDADE SONORA

Música, salvo honrosas exceções, só mesmo dos anos oitenta para baixo. Afinal, a podre mídia emporcalhou a trilha sonora tão agradável de outrora com ritmos cada vez mais cretinos e descartáveis. Compartilho, pois, neste phodástico e abufelado minifúndio cibernético uma seleção de trinta insuspeitáveis melodias entre as demais — também do mesmo quilate — que tocam diariamente em nossa indefectível vitrola RCA Victor/1919 a válvula, originalíssima. O destaque da lista fica por conta da MPB e algumas internacionais, incluindo jazz e um hit dançante inglês (10).

01) John Coltrane — Naima
02) João Bosco — Coisa feita
03) Gal Costa — Wave
04) Chico Buarque — Futuros amantes
05) Jazz Cruzaders — Just because It's jazz
06) João Donato — Rio
07) Leila Pinheiro — Nós e o mar
08) Johnny Mathis — As time goes by
09) Luiz Melodia — Presente cotidiano
10) London Beat — I've been thinking about you
11) Miúcha & Tom Jobim — Pela luz dos olhos teus
12) MPB-4 — A Lua
13) Zélia Duncan — Beco das Garrafas
14) Barbra Streisan — Speak Low (Destaque do vídeo)
15) Nat King Cole — Unforgettable
16) Pery Ribeiro — Garota de Ipanema
17) Norman Connors — River of love
18) Paul Jackson Jr. — Athens Park
19) Quarteto em Cy — Sapato velho
20) Edu Lobo — Ilha rasa
21) Sara Vaughan — Love and passion
22) Steve Hackett — Voyage of the acolyte
23) Toninho Horta — Meditação
24) Vinicius, Toquinho & Marília Medalha — Tarde em Itapoã
25) Zimbo Trio — Ao Piazzolla
26) Lúcio Gatica — Eclipse
27) Gilberto Gil & Ernie Watts — Do Japão
28) Pingarilho — Por do sol em Ipanema
29) Elis Regina — Dois pra lá, dois pra cá
30) Arrigo Barnabé & Daniel Taubkin — Cidade oculta
. .