quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Calor sufocante


Por Marcos Niemeyer


>> Foi com absoluto espanto que presenciei no início da tarde desta terça-feira (14) algo jamais por mim imaginado na invernosa Juiz de Fora: a gradual elevação da temperatura, que chegou a registrar incríveis 36,2 graus no decorrer do período.

O termômetro pendurado na minha janela já marcava "9 mil 999 graus", tão logo o galo cantarolou anunciando o nascer de mais um dia.Tive a sensação de estar em pleno deserto do Saara, ao lado de um camelo. A baixa umidade relativa do ar proporcionava uma espécie de sufoco. 

Desde as primeiras horas da manhã havia um prenúncio de algo fora do normal com aquele sol vermelho parecendo uma bola de fogo e inúmeras queimadas na vegetação que contorna a cidade.

Ao invés dos tradicionais sabiás, bem-ti-vis e outros pássaros cantores — até mesmo os indefectíveis pardais, nem sempre vistos com bons olhos — um bando de camirangas do bico aberto fazia voos rasantes ao lado da minha janela demonstrando visíveis sinais de cansaço já que, além da terrível canícula, o cenário parecia o apocalipse diante da forte camada de névoa seca cobrindo a mais "carioca" das cidades mineiras. 

Conforme relato de especialistas em climatologia da UFJF, há quase cinquenta anos Juiz de Fora não registrava calor tão fora do comum para os padrões térmicos locais. Tanto é que o dia entra para a história como a segunda maior temperatura já ocorrida no município — que no passado reivindicou a primazia de tornar-se a "capital" de Minas Gerais.

Fato semelhante foi verificado no verão de 1969, quando a temperatura por essas bandas emplacou 36,2 graus, na segunda quinzena de fevereiro. Há relatos, no entanto, que no dia 26 de dezembro de 1923 os termômetros chegaram a 37,4 graus em Juiz de Fora.

A situação nesta terça-feira só não foi pior por conta das rajadas de vento, uma das características do clima tropical de altitude da região — localizada a 715 metros de altitude em relação ao nível do mar (daqui, subindo no telhado mais elevado, é quase possível avistar a Zona Sul do Rio de Janeiro).

O calor é o assunto do momento nos botecos, na internet e demais quadrados. Acostumada com as baixas temperaturas na maior parte do ano, a população entra em pânico quando os termômetros chegam aos trinta graus. E, dessa vez, passou perto dos quarenta.

Há pouco mais de dois anos morando em Juiz de Fora, cidade que optei por viver por conta do clima ameno no verão e frio no inverno, cheguei a pensar na possibilidade de passar uma temporada em Fortaleza até que a poeira baixasse e a temperatura caísse na real durante o dia, já que a partir do início da noite acontece justamente o inverso possibilitando que o fenômeno climático derrube a sensação do ar para algo em torno de oito graus, independente do calor que tenha feito nas últimas horas.

"Vem pra cá, sêo aperreado! Aqui tá mais fresco, anda chovendo, tem muitcha muié apetrechada e incontáveis fêmeas estilosas do tipo 'último tiro na macaca', além de praias paradisíacas, onde pode-se abufelar night and day, sem contar as 'benção' do meu Padim Padi Ciço", convidou-me o amigo de longas caminhadas radiofônicas Jota Lacerda — diretamente da capital cearense.

Disseram no tal do Feice Buque que assombrados com a gravidade da situação, moradores de diversas partes de Juiz de Fora preparam um abaixo-assinado — cujo documento será enviado urgentemente a São Pedro reivindicando o início imediato da temporada chuvosa. De minha parte assino embaixo e dou fé. Afinal, quem aguenta esse calor do carayo na maior parte do dia?
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ESPECIAL PAULINHO TAPAJÓS

Dia 25 de outubro completa um ano em que o Brasil perdeu um de seus mais notáveis compositores: Paulinho Tapajós. Nesta data, teremos um especial em nosso Podcast com as melhores canções do artista. O programa foi gravado nos Estúdios Nova Virtual — Rio/Juiz de Fora. A seleção musical é da radialista Isa Carla Ramalho, locução de vinhetas do comunicador Douglas Polato (Rádio Cidade FM/JF) e apresentação deste amigo que vos fala e escrevinha.
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ABRA O ZÓI, BRESYL!