domingo, 30 de novembro de 2014

O tal do chifre dói pra carayo


Por Marcos Niemeyer


>> Nunca acreditei nessa velha máxima de que "quem ama não trai". Casado há mais de vinte anos, um amigo meu da nublada e chuvosa Juiz de Fora flagrou a mulher entrando num motel da cidade com o abominável Ricardão.

Ele já andava desconfiado e contratou um detetive pra tirar a prova dos nove. A "santa" esposa vivia dizendo que o "amava" e jamais o trocaria por outro. "Nem no pensamento!". O cabra ficou arrasado e não é pra menos.

"Ainda bem que não tenho fêmea no barraco (a não ser minhas galinhas caipiras e cadelas vira-latas). Caso contrário, teria também que suportar uma certeira chifrada em riba da parte mais elevada da carcaça", chochichou alguém nos seus ouvidos.

Coincidentemente estou lendo "O que faz o amor durar" (já traduzido para o português), de autoria do terapeuta americano John Gottman. Na obra, lançada pela editora Fontanar, Gottman, professor da Universidade de Washington, destrincha as causas da infidelidade baseado em quatro décadas com terapias de casais.

A traição, afirma o especialista, é previsível. Solidão, perda da confiança e sensação de que não pode contar com a parceria são os principais motivos da pulada de cerca. Confira a lista elaborada pelo terapeuta.

Mulheres 
1. Ser traída primeiro
2. Falta de carinho e atenção
3. Ele prefere fazer outras coisas e não a leva para sair
4. Se decepcionar ao tentar fazer o outro mudar
5. Casamento forçado e sem amor
6. Gostar ainda do ex
7. Distância
8. Falta de diálogo
9. O parceiro ser desapegado e inseguro
10. O parceiro não é bom de cama

Homens 
1. Pressão dos amigos
2. Falta de sexo no relacionamento
3. Desconfiança em excesso da parte dela
4. Sentir emoções que não sente com a esposa
5. Vontade de novas experiências
6. Falta de caráter
7. Instinto
8. A parceira ser ruim de cama
9. Achar uma mulher melhor que a parceira
10. Distância

O terapeuta John Gottman relata num dos trechos de sua obra que a traição tende a não ser compensadora no longo prazo. De fato, quem trai sente o ego enaltecido num primeiro momento. Depois, no entanto, a sensação é de absoluto vazio.

Na onda da traição que se espalha feito rastro de pólvora, sites especializados no tema e dispostos a dar uma "forcinha" para relacionamentos extra-conjugais  como é o caso do polêmico Ashley Madison no Brasil  —  revela que 35 por cento dos machos e 25 das fêmeas afirmam trair por falta de sexo.

Entre aqueles que separam sexo de amor, uma justificativa frequente é que simplesmente surgiu uma oportunidade irresistível. Pelo menos é o que dizem mais de quarenta por cento dos usuários do site "Second Love", que participaram de uma pesquisa online sobre o tema.

A grande verdade é que para não trair nem ser traído só mesmo se abdicando das saliências sexuais a dois. Mas se a carne é fraca, a única solução é continuar arriscando no complicado jogo do amor.

Ou seguir o exemplo do motorista de táxi do Galeão, Claudiney Armando. O sujeito disse num programa de rádio que aproveitou a tal "Black Friday" e comprou uma boneca inflável estilosa no sexshop em Copacabana.

"Ela não reclama, não pede dinheiro, não dá pra outro, faz barba, cabelo e bigode comigo, enfim, está disponível 24 horas por dia. Essa eu posso chamar de minha, uma verdadeira Amélia dos novos tempos", sentenciou.

Gostei também da resposta dada pela live pensadora paulista QS, de 50 anos, a um gaiato do Feice Buque viciado em sexo de frente e verso. Além de minimizar sutil e moralmente a questão, coloriu com toque de classe recheado de versos poéticos.

Algo digno de uma fêmea culta, sensível, dessas que não se encontram nas esquinas, nem nos classificados eróticos dos jornais e revistas. Veja a elegância e clareza da escrita.

“Sexo para os homens é mais uma questão de toque, sensualidade, conquista, enquanto nas mulheres, no meu caso, o sexo começa na mente. O corpo pode até pedir, mas a mente tem que aceitar. E todo esse processo se desenrola na conquista, nos gestos, nas palavras, nas ações. Soma-se ao perfume do jasmim, as pétalas de rosas jogadas ao vento e ao som de Bob Baldwin com Tom Jobim. Pronto! A delícia está no ar. Baisers, coeur!”.
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