quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Só a "Tribuna de Minas" não tomou conhecimento



Por Marcos Niemeyer


>> Enquanto os jornais de todo o Brasil e de várias partes do mundo destacavam o Cruzeiro como Campeão Brasileiro de 2014 (o quarto título da competição em sua história), a "Tribuna de Minas", principal jornal da invernosa Juiz de Fora, ignorou o fato em sua página principal.

No máximo uma notinha inexpressiva na coluna de esportes, cuja especialidade diária é destacar em letras garrafais os atualmente pífios times cariocas. Esse fato de a imprensa juiz-forana fazer vistas grossas não só para as equipes esportivas do estado, mas até mesmo para situações mais importantes, é uma questão cultural bem antiga.

Além da proximidade geográfica com o Rio de Janeiro, no passado — quando começaram as primeiras transmissões da televisão    apenas os sinais das TVs cariocas eram captados na cidade  e em toda a Zona da Mata mineira. 

Pelo menos duas gerações cresceram vendo e ouvindo tudo que era gerado pelas emissoras de rádio e TV do Rio. Foi a partir daí que nasceu a preferência pelo futebol do estado fluminense. Sem falar que foi numa época em que o crescimento do próprio futebol carioca com suas principais conquistas nacionais e internacionais encantava gregos, mineiros e o carayo a quatro.

Mas como a vida é feita de momentos,  Juiz de Fora  ao contrário do que os desavisados de plantão possam imaginar, passou a ter nos últimos anos imensa torcida da Raposa e do Galo. Prova inconteste é a quantidade de camisas e bandeiras das duas equipes nos quatro cantos da cidade. Em dias de jogos do Cruzeiro ou Atlético, há grande concentração de torcedores nos bares e espaços públicos de JF, apitaço de carros nas ruas, foguetório, etc. 

Não resta dúvida que a preferência do torcedor local,  em sua maioria, ainda é para Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense. Os times paulistas, por sua vez, não costumam ser aplaudidos em Juiz de Fora. São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos encontram, no máximo, uma meia-dúzia de gatos pingados vestidos com suas respectivas camisas.

Se Cruzeiro e Atlético tem conseguido atrair a simpatia do torcedor de Juiz de Fora ultimamente, isso não é por acaso. Ambos fizeram por onde participando de importantes competições nacionais e internacionais, ganhando títulos relevantes, revertendo placares considerados impossíveis diante de adversários, desbancando até mesmo os então considerados "invencíveis" do futebol carioca e paulista.

Se tudo mudou, então é preciso que a imprensa brasileira reveja seus conceitos e passe a dar mais destaque ao futebol mineiro. Os três principais diários de Belo Horizonte (Estado de Minas, Hoje em Dia e o Tempo) brilharam pela cobertura impecável em função do importante título conquistado pela equipe azul-celeste.

Afinal, Cruzeiro e Atlético merecem espaço em qualquer jornal que se preze. Só a "Tribuna de Minas" insiste em não enxergar a realidade dos novos tempos esportivos. Bola fora, portanto, para um jornal que se acha "grande".

Consta, aliás, entre filósofos de boteco que certa publicação de Juiz de Fora mandou pintar no Estádio Radialista Mário Helênio uma faixa durante uma partida entre Tupi (a equipe local) e Cruzeiro, pelo Campeonato Mineiro, na década passada, com a seguinte inscrição: "Bem-vindos ao litoral, roceiros."
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NARRADORES ESPORTIVOS DO RÁDIO

Nada entendo de futebol, não é minha especialidade nos artigos que escrevinho ou comento no podcast (me simpatizo com o Cruzeiro, mas em fanatismo). Tenho, no entanto, grandes amigos que atuaram ou ainda atuam na crônica esportiva brasileira (rádio, jornal e TV) e uma grande admiração por todos eles, especialmente os narradores, comentaristas e repórteres esportivos do rádio.

Essas figuras tem um dom que poucos profissionais dos meios de comunicação possuem. Narrar futebol pelo rádio (muito mais que na TV) é uma missão envolvente e de grande impacto. É tudo na base do improviso, sem papel nenhum para ler o que vai falar e uma velocidade espantosa ao narrar lance por lance.

Narradores  esportivos são únicos, eles não aprendem o ofício na faculdade  muito embora uma boa formação acadêmica seja essencial nesses novos tempos  criam bordões impagáveis e frases espetaculares durante as transmissões esportivas e acabam ficando tão famosos quanto muitos jogadores.

A diferença está nos salários. Diferentemente de atletas que ganham rios de dinheiro mesmo sem saber rabiscar direito (a maioria) o próprio nome de batismo, costumam ser mal pagos nas emissoras em que atuam.

A exceção fica por conta de alguns mais sortudos que tem o privilégio de trabalhar em grandes empresas do setor, principalmente no eixo Rio/São Paulo, como é o caso daquele narrador esportivo mais chato do Brasil que recebe cinco milhões de reais por mês para vomitar na TV seu ufanismo e petulância.
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GOL ENTRA NA ROTA AÉREA DE JUIZ DE FORA


A Gol Linhas Aéreas solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a operação de voos entre Juiz de Fora / Belo Horizonte / Juiz de Fora / São Paulo.

Caso o pedido seja aprovado, pousos e decolagens começam na segunda quinzena de março de 2015. As aeronaves são do tipo Boeing 737-700, com 138 lugares. O preço dos bilhetes ainda não está definido. Juiz de Fora carecia mesmo de uma grande empresa aérea em sua rota.
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