terça-feira, 18 de novembro de 2014

Truculento e de um passado turbulento


Por Marcos Niemeyer


>> O caso do juiz João Carlos de Souza Correa que deu voz de prisão à agente carioca da Lei Seca, Luciana Tamburini (foto), porque ela subiu nas tamancas e disse que o distinto "não era Deus" não é exceção — mas, sim, regra neste país onde as leis não são válidas para todos.

Luciana foi ainda condenada a pagar uma indenização de cinco mil reais ao infrator. O carro dele estava sem placa, Correa não possuía  carteira de habilitação, nem tampouco estava de posse dos documentos do veículo,  mas ela é quem acabou condenada, por "abuso de poder".

Ultimamente os meios de comunicação tem mostrado provas incontestes da arrogância e prepotência desses bacanas que fazem uso de suas prerrogativas, num verdadeiro e autêntico desafio à democracia. Esse tal juiz, reincidente em suas truculências, um especialista em arrumar encrencas, é de se estranhar que até agora aja na impunidade.

No final de 2007, por exemplo, tentou entrar de gaiato no free shop de um navio turístico. Barrado pelo comandante da embarcação ao dizer-lhe que as lojas atendiam apenas passageiros, ele chamou a Polícia Federal.

Viciado em dar carteirada, Correa foi investigado pelo Conselho Nacional de Justiça por conta de suas atitudes duvidosas em processos sobre disputa de terra em Búzios, no estado do Rio.  A mais grave das denúncias diz respeito ao benefício de um advogado amigo dele numa disputa de áreas valorizadas no município. Há cerca de sete anos, o bacana ordenou a prisão de uma jornalista que publicou carta aberta sobre sua truculência no litoral fluminense.

O caso mais recente de suas atrocidades é o que obriga o jornal O Globo a pagar-lhe dezoito mil reais de indenização. O motivo? Uma reportagem publicada pelo diário carioca, há cerca de três anos, denunciava a voz de prisão dada pelo juiz aos funcionários da empresa Ampla que foram a casa de Correa cortar o fornecimento de energia por falta de pagamento. A matéria foi publicada com a seguinte manchete em destaque: — “Juiz dá calote e tenta prender cobrador.”

Furioso, o magistrado disse que “a reportagem provocou abalo em sua honra”. Chegou a reivindicar indenização de cem mil reais. O jornal argumentou que as informações eram incontestáveis além de que, o juiz era investigado pelo Tribunal de Justiça do Rio e pelo Conselho Nacional de Justiça.

Nas redes sociais, Correa está literalmente linchado. Milhares de internautas dos mais diferentes ponto do país escrevem mensagem de solidariedade à agente Luciana Tamburini, responsável por impedir que o magistrado continuasse dirigindo de maneira irresponsável.

Se João Carlos cometesse seus desmandos num país do Primeiro Mundo, certamente enfrentaria sérios problemas com a justiça. É que na Europa e nos Estados Unidos, a lei costuma valer para todos — indistintamente. Bem diferente do Brasil, onde juízes aprovam até mesmo benefícios em causa própria por debaixo dos panos.

Uma dessas aberrações é o recente auxílio-moradia (pago com o dinheiro público!) de 1 bilhão de reais. São 4 mil e 400 reais por cabeça, mesmo para aqueles que tem casa própria. Aliás, qual o juiz que não é possuidor de uma bela mansão e outras regalias?

Há de se ressaltar, no entanto, que em todo ramo de atividade existe o bom e o mau elemento. Em Juiz de Fora, um magistrado aposentado costuma dar bom exemplo de honestidade e caráter por onde passa. No prédio em que mora, num bairro de classe média da cidade, faz questão de cumprimentar funcionários e vizinhos. Dirige um carro simples e não raro é visto circulando a pé ou de busão.

Na semana passada ele acordou cedo como de costume e trouxe um café para o porteiro do condomínio. Ao abir o elevador, esbarrou na porta derramando parte da bebida. O funcionário se prontificou de imediato em limpar o chão. — Nada disso! disse-lhe o juiz. Pode tomar seu café sossegado, faço questão de cuidar dessa "lambança".

Ato contínuo, foi até o quarto de limpeza trazendo nas mãos pano e rodo. Deixou o elevador brilhando como um espelho de periguetchy. Isso prova que a grandeza de uma pessoa costuma se refletir muitas vezes em pequenas, porém, relevantes atitudes e não em suas arrogantes e truculentas medidas, como é o caso de João Carlos de Souza Correa e a maioria dos magistrados brasileiros.

Luciana Tamburini, por sua vez, tornou-se nacionalmente conhecida da noite para o dia. Nova, bonita e curvilínea, não será surpresa caso ela seja convidada a qualquer momento para posar nua nas páginas da Playboy.

Quem sabe até mesmo resolva usar sua imagem como estratégia de marketing e candidatar-se a um cargo eletivo nas próximas eleições. Afinal, isso é o Brezyl varonil.
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