sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A MPB não é casa da mãe Joana; merece respeito!



Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Incrédulo, leio no site de o Estadão que uma dupla breganeja (a tal xororô) vai gravar músicas do maestro Tom Jobim. Os cabras dizem que é uma "homenagem" ao criador de Garota de Ipanema, Ela é carioca, Águas de março e outras impagáveis melodias da Bossa Nova. Trata-se, a bem da verdade, de uma grande falta de respeito com a obra de um dos maiores nomes da MPB.

O jornalista Alexandre Figueiredo, autor do blog progressista Linhaça Atômica, lembra que a dupla já usurpou Jair Rodrigues, parasitou o Clube da Esquina, explorou o maestro João Carlos Martins e se autopromoveu às custas da música "Tente outra vez", de Raul Seixas.

"São canastrões que nada fizeram de relevante e querem entrar no primeiro time da música brasileira de qualidade sem ter competência nem mérito para tal", afirma. 

O maestro Tom não é a primeira vítima desse truque em que cantores não comprometidos com a verdadeira cultura musical brasileira fazem se passar por intérpretes "geniais" da MPB. Vira e mexe surgem figuras de valor artístico duvidável e espalhafatoso a dizer que estão prestando "homenagem" a esse ou aquele nome relevante da música brasileira (pasmem!) e até internacional. 

O próprio Tom Jobim teve uma de suas mais bonitas melodias, Chovendo na roseira, assassinada por uma cantorzinha de meia pataca que a podre mídia tentou convencer os menos esclarecidos tratar-se de uma "nova diva da MPB".

Outro caso berrante ocorreu há pouco tempo no tal programa "The Voice", da mafiosa Rede Globo. A vítima, dessa vez, foi ninguém menos que João Gilberto, um dos principais nomes da Bossa Nova. O icônico artista foi atingido por uma dupla de "cantores" com a melodia Adeus, América, de sua autoria.

Como desgraça pouca é bobagem, os ignóbeis ainda tiveram coragem de dizer que desconheciam o autor da composição. O cantor Lulu Santos, único jurado com um pouquinho de juízo daquela merda de programa, disse o que os outros jurados jamais falariam, até porque, desconhecem as verdadeiras raízes da música brasileira.

"Achei que houve um excesso de trejeitos vocais e desrespeito à canção original. Faltou respeito ao que a música diz."

A letra, de fato, é uma espécie de manifesto de volta às origens. "O samba mandou me chamar/Eu digo adeus ao boogie woogie, ao woogie boogie/E ao swing também/Chega de rocks, fox-trotes e pinotes/Que isso não me convém...".

No caso da tal dupla breganeja que pretende lançar um "tributo" a Tom Jobim, acredito que o grande maestro não se sentiria honrado com tamanha petulância. Esses porras-loucas deveriam focar única e exclusivamente o público deles que, por sinal, não é pouco. 

Não há espaço na MPB para a histeria coletiva. Já chegam os excessos cometidos por esses ritmos indigestos inventados pela mídia a emporcalhar 365 dias por ano os tímpanos mais sensíveis. Os xororôs, pois, vão bulir numa praia que não lhes pertence. Ou será que nunca ouviram aquela velha máxima: "cada macaco no seu galho?".
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