terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A cada vez mais preocupante falta d'água


Por Marcos Niemeyer
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>> Em 1985, importantes nomes da MPB (naquela época — diferentemente desses tempos midiáticos vorazes — a boa música tocava no rádio, nos programas de TV, nas festas populares e até na casa do vizinho), se reuniram para gravar o disco intitulado  Nordeste Já

O objetivo era arrecadar recursos em dinheiro para a população carente do Nordeste, sobretudo milhares de pessoas vitimadas pela seca. Foi uma versão brasileira de We Are The World, o hit americano que reuniu vozes famosas e contribuiu financeiramente para o projeto USA for Africa. 

Entre os intérpretes, Tom Jobim, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan, Rita Lee, Gonzaguinha, Elba Ramalho, Fafá de Belém, Tim Maia, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Simone, Elizeth Cardoso, Chico Buarque, Gal Costa, Maria Bethânia, Zizi Possi, Nara Leão, Caetano Veloso, Fagner e outros não menos importantes, encontraram-se no Rio de Janeiro para a gravação da obra.

O disco foi lançado no mesmo ano pela CBS/Coomusa (Sony Music). O sul, sudeste e centro-oeste do país não sabiam, até então, o que era falta d'água.

Por conta da situação cada vez mais preocupante com a escassez de chuva e a consequente diminuição do precioso líquido nas torneiras do lado de cá do país atualmente, a bonita, porém dramática canção, cairia como uma luva onde antes os rios eram caudalosos e a água jamais faltava.

Diante da assombrosa realidade, o professor carioca e um dos maiores conhecedores da história da Bossa Nova, Carlos Alberto Afonso, escreveu inteligentemente no Facebook: "A crise hídrica pode evoluir para uma crise híbrida, se, além da água, rarear o pão. Muitos de nós podemos vir a sentir saudades dos tempos em que, reclamando, passávamos a pão e agua."

Relembre o emocionante encontro que reuniu os maiores nomes da música popular brasileira num grito de alerta contra a seca nordestina.

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TRISTE BRASIL! 

Determinada FM de Juiz de Fora anuncia aos quatro ventos que terá uma programação mais pop, rock e MPB com "o melhor da música feita a partir dos anos 2000". Ora, acredito que quem tem bom senso, percebe sem mais delongas, que o melhor da música — salvo honrosas exceções — foi somente até meados dos anos oitenta.

A tal emissora fala sobre Green Day, Skank, Oasis, U2, O Rappa, Marisa Monte, Katy Perry, entre outros. Mas não vejo citar, por exemplo, Tom Jobim, Vinicius, Marcos Valle, João Gilberto, Chico, Gal, Bethânia, Milton, Lô Borges, Tavito, MPB-4, Quarteto em Cy, Nara Leão, etc. Coitados dos programadores da rádio, não sabem o que é música de verdade. 

Na relação do playlist por eles divulgado, não duvido que surjam os canastrões midiáticos tidos como "cantores". Há poucos dias eu conversava com uma estudante de jornalismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a menina dizia conhecer "tudo de música".

— Sabe quem é Francis Hime?

— Não tô lembrada...

— Já ouviu falar de Paulinho Tapajós?

— Esse acho que sim... é um índio, né?

— A história do Clube da Esquina você tira de letra, não é mesmo?

— O nome não me é estranho, mas não sei bem definir o assunto.

Como se percebe, as novas gerações não conhecem nada sobre a verdadeira musicalidade brasileira. E os meios de comunicação, sem dúvida, são os maiores responsáveis por tal despropósito.
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DÚVIDA CRUEL 

Abestalhado diante de uma paixão virtual fulminante, fulano consultou uma das ciganas da Praça Mauá — no abandonado, violento e engarrafado centro do Rio. "Vai sem medo. Ela é fêmea de um macho só", disse ao rapaz, após cobrar-lhe "apenas e tão somente" 50 reais pela revelação. Arisco, o querelante resolveu tirar a "prova dos nove" com uma outra cigana, desta vez em Madureira, na Zona Norte carioca. "Vai não, é fria. Tô vendo, de início, um par de chifres sobre a parte mais elevada de vossa carcaça", alertou-lhe, sem antes anunciar o preço da consulta: 80 mirréis.

IPANEMA E SUA DIVERSIDADE 

O transeunte desavisado que pensa existir somente praia, bares e restaurantes sofisticados, hotéis de luxo, teatros de primeira,  lojas de grife, etc, na badalada Ipanema, na Zona Sul do Rio, vai dar com os burros n'água. Por lá tem atrativos para atrair o povão também. Até Casas Bahia, Igreja Univer$al do Reino de Deu$, pai de santo atendendo nativos e turistas em galerias comerciais e apartamentos — desde os mais simples até os mais luxuosos — prostitutas nas esquinas prometendo deixar turistas endinheirados "loucos" e o carayo a quatro. Não podemos duvidar que futuramente Ipanema torne-se a "Central do Brasil" da orla marítima carioca.
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