sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A grande trapalhada do "Velho Guerreiro"


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
facebook/


>> Chacrinha, o "Velho Guerreiro", foi um dos responsáveis pela queda da qualidade musical no Brasil. Tudo praticamente se materializou nos bastidores da Rádio Sociedade da Bahia, em Salvador, na metade da década de oitenta.

O popular comunicador frequentava direto e reto a emissora, onde traçou um plano mirabolante com a coordenação de programação da empresa  na época para apresentar em seu programa, na Rede Globo, tudo que fizesse sucesso na Rádio Sociedade/ Itapoã FM (então pertencentes ao megaempresário Pedro Irujo).

Uma das primeiras "músicas" da Bahia que Chacrinha mostrou ao Brasil após a armação ilimitada foi o tal de "RALA O PINTO", de um "cantor" por nome de Zé Paulo.

Veja que "obra de arte": E rala o pinto / E tá beleza / Rala a bundinha / E tá legal / No coqueirinho / Carrinho de mão / E mexa mais / E o boquete / E a espanhola / E rala a tcheca.../ 

— Vai para o trono ou não vai? vociferava Abelardo Barbosa. A plateia ia ao delírio. Foi a senha para o início da desgraceira sonora que toma conta do país, há praticamente trinta anos. A contrapartida era que as duas emissoras baianas rodassem até dizer chega as extrovertidas marchinhas de Carnaval do "Velho Guerreiro" ou abrissem espaço na programação para nomes indicados por ele.

Rolaram cifras milionárias por trás da tramoia. Um dos maiores jabás que se tem notícia na história da comunicação brasileira. Na época, atuávamos na área de jornalismo da Rádio Sociedade e conhecemos todo o esquema — que é longo e complexo. Uma hora dessa, quando sobrar tempo, vamos contar a história com detalhes neste minifúndio cibernético.
....

BETHÂNIA NÃO DISSE; SE TIVESSE DITO, PORÉM, ESTARIA COBERTA DE RAZÃO

BETHÂNIA NÃO DISSE; SE TIVESSE DITO, PORÉM, ESTARIA COBERTA DE RAZÃO 

Por outro lado, numa recente entrevista ao jornal Folha de São Paulo para falar dos seus cinquenta anos da brilhante e irretocável carreira, a cantora Maria Bethânia enfatizou: “Estou com pena do meu Brasil”, certamente referindo-se à questão política.

Em nenhum momento ela falou sobre as indigestas sonoridades que tem emporcalhado as paradas de sucesso nesses últimos tempos. Aliás, até por uma questão que consideram “ética”, a maioria dos bons cantores e compositores sai de fininho quando questionados sobre o assunto.

Alguém, no entanto, espalhou na internet palavras supostamente ditas pela artista sobre a bagaceira musical: “Saber da riqueza musical do meu país e hoje vejo gerações loucas que dançam aos zumbidos de muriçocas e imoralidades. A adolescente está perdendo a sua essência de mulher e as novas gerações de falsos artistas estão fazendo da nossa música o lixo da humanidade.”

O texto é mal escrito, inclusive, com um clamoroso erro de concordância verbal. Além de dama da MPB, Bethânia é culta. Foi possível perceber, no ato, que ela não disse isso. Mas se tivesse dito (de forma mais abrangente e sem erros) estaria coberta de razão.

Afinal, observamos com tristeza e preocupação figuras importantes da verdadeira música brasileira ajoelhando-se aos pés da podre mídia em busca de parceria com esses ridículos cantorzinhos que surgem a todo instante. É bom que lembrem-se de uma velha máxima: "Quem com porcos se mistura, farelo come."
.