quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Um fora bem dado nos oportunistas de plantão


Por Marcos Niemeyer


>> O multi-instrumentista Ed Motta é um dos pouquíssimos artistas a não se deixarem levar pela prostituição e o mau gosto que vem tomando conta implacavelmente do que resta de interessante na MPB.

O cantor e compositor fez bem ao dizer um sonoro NÃO aos empresários da indústria de cosméticos que queriam colocá-lo juntamente com uma "unanimidade" de origem baiana e o rap paulista Criolo  em oportunista "homenagem" a Tim Maia, numa turnê nacional.

Em sua página no Facebook, Ed Motta foi taxativo: "Uma empresa de creme me procurou para fazer o 'projeto' Tim Maia, a grana não era compatível com meu desprazer em fazer isso. Para mim, a música do Tim Maia é intocável, fica bom mesmo é com ele, é preciso honestidade e vergonha na cara para admitir isso. O cara que teria realmente cabedal para um tributo ao Tim Maia seria o Claudio Zoli, por conta do timbre de voz, e também a história e envolvimento de carreira, o compromisso com o soul carioca, etc. Mais do que sacanagem, é um desrespeito por gente que dedicou a vida inteira a isso. Vontade de vomitar, que coisa podre!"

O que não tem faltado ultimamente são parasitas de toda espécie na tentativa de sujar a história da autêntica música brasileira. Um dos casos mais recentes é o da dupla breganeja que resolveu gravar um CD em "tributo" ao maestro Tom Jobim. Impossível algo sonoro mais constrangedor.

No caso da tal "musa" midiática baiana, a dita-cuja parece não saber direito qual é a praia dela. Onipresente, não se contenta   entre outras macaquices   a se sacodiar por cima dos ensurdecedores trios elétricos no carnaval de Salvador e nas chamadas "micaretas" que pululam feito rastro de pólvora pelos quatro cantos do Brasil 365 dias por ano atraindo a multidão alcoolizada e cambaleante.

Como bem disse um leitor desta página: "Esta 'cantora' está em tudo, até nos rolos de papel higiênico e nos pacotes de ração canina, não aguento mais ver a cara dela.  Só falta, agora,  ela assumir o comando da Petrobras." 

A referida fulana acha que quem aprendeu gostar e valorizar a boa música é obrigado aceitar sua gritaria que em nada contribui para a evolução da cultura musical do país. Muito pelo contrário, trata-se de verdadeiro despropósito travestido de "diversidade cultural", uma irrelevância sem precedentes nas páginas musicais brasileiras.

O rap Criolo, por sua vez, pode lá ter suas qualidades artísticas. Mas, diferentemente de Ed Motta, tem deixado se levar pelo apelo midiático e medíocre que sequer respeita o legado da MPB.

Como se sabe, Tim Maia é um dos nomes mais influentes e respeitados da soul music brasileira. Sua obra não pode e não deve ser prostituída em nome dos apelos comerciais sensacionalistas. 

Ed Motta, portanto, acertou em cheio ao recusar o convite da indústria cosmética para participar ao lado de duas figuras opostas à sua verve artística de uma, dessas tantas "homenagens", que tem surgido ultimamente ao seu falecido tio. Puro oportunismo e banalização da obra concebida pelo síndico da MPB.
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