quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Onde foram parar as belas morenas e mulatas de outrora?




Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
facebook/


>> Após uma semana revendo parentes e amigos na cidade de Governador Valadares, no Leste de Minas, praticamente não consegui avistar no pedaço nenhuma fêmea dos cabelos naturais. 

Parece que todas as mulheres desta exageradamente calorenta, abafada e "americanizada" city resolveram pintar as madeixas de amarelo-canário. Uma espécie de padrão estético estabelecido pela racista indústria cosmética, com o aval da podre mídia.

Aliás, com exceção do "Baile Charme", no viaduto de Madureira, na Zona Norte carioca, faz tempo que não vejo em lugar nenhum do Brezyl varonil cabrochas e balzaquianas dos cabelos crespos e encaracolados. Essas sim, in natura, me parecem mais belas e elegantes. Ou será que estou na "Europa" e ainda não percebi? 

A situação chegou a tal ponto que uma casa noturna de Valadares colocou estratégico e questionável anúncio na porta do estabelecimento: "Loiras, acompanhadas ou não, tem trinta por cento de desconto no valor da entrada."

As madeixas, não resta dúvida, integram a identidade dos mortais, e nada melhor para fortalecer esse conceito do que assumi-las como realmente são. E um grupo notável de mulheres tem se reunido em diversas partes do planeta com o objetivo de provar que a cultura afro precisa e deve ser mais valorizada. 

O Encrespa Geral, com espaço bem atrativo no Facebook, é um movimento de valorização dos cabelos crespos e cacheados, mas que acredita na beleza natural. O evento, já acorrido em várias cidades do Brasil e do mundo, teve lugar recentemente no Espaço Cultural Nelson Mandela, em Governador Valadares. 

O público presente foi pífio. Afinal, por aqui, a exemplo do que tem ocorrido de norte a sul do Brasil, as mulheres (em sua maioria) se acham "loiras". Observa-se hoje em dia que a tendência das fêmeas que nascem com cabelos crespos é alisá-los ao máximo. Algumas exageram na dose e acabam parecendo verdadeiras espigas de milho.

Também desperta atenção em Governador Valadares o número de lojas populares e ambulantes a oferecer réplicas do espevitado e desejado traseiro da atriz Paolla Oliveira.

O "escapamento" da moça ficou famoso após cenas calientes numa minissérie televisiva. Feito de uma fina borracha, o acessório custa, em média, 10 reais. Tá vendendo mais que pipoca em porta de circo.
....

MAIS DOIS FLAGRANTES DA CIDADE


Na "Esquina dos Aflitos" (uma espécie de "Feira do Rolo" que acontece aos domingos pela manhã na área do Mercado Municipal de GV), uísque "legítimo" é vendido a "preço de banana". Na imagem, um cabra oferece o produto de duas marcas diferentes com as garrafas colocadas estrategicamente em cima de uma tábua de passar roupa em plena calçada de uma movimentada esquina. "Vão levá, fregueis. Aqui a gente temos oísque originale, é bão e barato. Só trinta real litro. Duas garrafa nóis faiz por cinquenta real", anuncia com sotaque típico mineiro.
.... 

Em Governador Valadares (9 mil 999 graus e meio à sombra), além de "assassinar" cruelmente a gramática, o povo tem mania de chamar o outro de BOBO. "Uai, bobo, dexêu falá procê...". E vi uma placa na porta de uma oficina, no centro da cidade: "Concertamos-si bicecleta-si". Um quarteirão adiante, dei de cara com o aviso na frente da borracharia: "Conpramos peneus uzados".
.