terça-feira, 24 de março de 2015

A inquietação das paixões modernosas


Por Marcos Niemeyer


>> Atire a primeira pedra quem nunca levou um pontapé na bunda estrategicamente aplicado por uma ou ambas as partes na difícil tentativa dos relacionamentos amorosos.

Quando isso ocorre, algo cada vez mais comum nesses tempos das descartabilidades, não faltam conselheiros de plantão propondo programas e atividades para distrair e fazer a vítima da rasteira esquecer o caos estabelecido.

Mas, segundo um estudo da universidade americana Northwestern, tal atitude tão comum (e compreensível) pode não ser a melhor maneira de superar o fim de uma relação a dois. A grande jogada, de acordo com a pesquisa, é falar bastante do (a) ex para cicatrizar as feridas do corazón.

Confesso ter minhas dúvidas se algo desse tipo funciona mesmo. É como aquela desculpa de pinguço objetivando encher ainda mais o chifre: "Vou tomar uma pura pra ficar de boa". Quem disse que veneno se cura com veneno?

Remoer as lembranças com o (a) ex não é nada agradável. Mandar mensagens e telefonar a todo instante, também não costumam contar ponto positivo. Se quem partiu tiver de voltar, não será pelo cansaço ao qual foi imposto.

E o que dizer do cabra que fica vigiando a internet na tentativa de encontrar pistas da fulaninha que arrumou outro antes que o galo fizesse cocoricó? Xô, passa! Você não é detetive. Trate logo de desapaixonar-se ou procure sem mais delongas uma nova paixão, nem que seja para um simples divertimento momentâneo.

Amor desconstruído é phoda. Nesses tempos atuais, infelizmente, os relacionamentos entre macho e fêmea costumam não durar duas invernadas (a maioria termina mesmo antes de começar).

Bons momentos quando os casais apresentavam firmeza de caráter e até saiam a caminhar despreocupadamente de mãos dadas pra ver a lua cheia a boiar no infinito. O casamento, por exemplo e lamentavelmente, é uma instituição praticamente falida.

Se antes eram os homens pouco fiéis que não sabiam viver com uma só mulher, agora são elas quem trocam de parceiro com a maior das naturalidades. Saem com um, voltam com outro e ainda postam suas aventuras no "Feice Buque", Instagram, Twitter e no carayo a quatro.

Tem gente dizendo por aí que mulher de um homem só é sofrida, a que tem dois homens é evoluída, aquela que dispõe de três machos é atrevida e a que tem quatro, não tem dó da perseguida.
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