domingo, 8 de março de 2015

Lugar de passarinho não é na gaiola


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Pássaros jamais deveriam ser confinados em gaiolas ou em qualquer outra geringonça parecida. A natureza os fez livres. Covarde é, quem prende um pássaro. O cabra que age de tal forma só pode ser ruim da cabeça ou doente do pé.

A prática de criação e comercialização de pássaros silvestres, além de outros animais da mesma origem, está (infelizmente) enraizada na cultura do povo, muito embora tal atitude seja considerada crime ambiental.

Animal silvestre não é a mesma coisa que o animal doméstico. Cachorros, gatos, porcos e galinhas, por exemplo, são considerados domésticos na medida em que já estão acostumados com a presença do ser humano.

Araras, papagaios, micos, jabutis, entre outros de espécies idênticas são classificados como silvestres. Quem defende a ideia de quebrar gaiolas e plantar árvores merece uma salva de palmas.

A lei que protege os animais silvestres seria da maior importância para inibir a criação em cativeiro de todas as aves covardemente confinadas pelo bicho homem. Sinto meu dia transformar-se num bagaço quando vejo um pássaro engaiolado. Vira e mexe costumo ligar para o Ibama denunciando a presença dessas criaturas em cativeiro.

Em contrapartida, de manhã, bem cedinho, todos os dias, um Chorró (que tem o canto dos mais bonitos entre todas as aves) transita estilosamente ao lado da minha humílima janela, na invernosa Juiz de Fora.

Quando tento, porém, contemplá-lo de perto o danadinho se esconde atrás de uma moita de erva-cidreira que fica no sentido oposto da varanda. É só eu virar as costas e ele dispara a cantar suavemente.

Sua orquestração me faz lembrar "Chovendo na Roseira", do maestro soberano Tom Jobim: "Pétalas de rosas carregadas pelo vento/ Um amor tão puro carregou meu pensamento/ Olha, um tico-tico mora ao lado/ E passeando no molhado/ Adivinhou a primavera..."

Em algumas regiões do país, sobretudo no norte e nordeste, o chorró é conhecido também por Choró-boi, Piorim, Pata-choca, Choca-boi e Olho-de-fogo.  O macho é negro no dorso e branco no ventre. Tem cauda e asas brancas. Na fêmea, a plumagem é marrom avermelhada. Em ambos, os olhos são intensamente vermelhos.

Seu habitat natural é a vegetação densa  de capoeiras, clareiras e bordas de florestas com vegetação arbustiva. Exímio malabarista, pula mais que pipoca na panela o que dificulta a visão de quem tenta observá-lo.

Confira no vídeo que a produção deste blog pesquisou no YouTube a suavidade do canto do chorró (até na hora do cruzamento, macho e fêmea inundam o ambiente com sua épica melodia). Haja amor, saudade minha!

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