quinta-feira, 23 de abril de 2015

A crônica esportiva baiana está de luto


Por Marcos Niemeyer


>> Toda vez que um speaker das antigas parte para o "andar de cima", como é o caso de Antônio Vieira, 68 anos, (foto) — vítima de uma parada cardíaca, na noite da última terça-feira (21), em Salvador — ficamos com a pulga atrás da orelha na expectativa de quem será o próximo.

Esses grandes nomes da radiodifusão brasileira parecem insubstituíveis diante do profissionalismo e da firmeza de caráter que lhe são peculiares. Vieira fazia parte desse grupo cada vez mais raro.

Excelente repórter e comentarista esportivo era, também, um cabra simples e admirado entre os amigos e por onde quer que circulasse. A última vez que nos vimos foi em 2007, durante uma partida entre o Vitória da Bahia e o Ipatinga pela Série B do Campeonato Brasileiro, na cidade mineira do Vale do Aço.

Eu ainda atuava na Rádio Itatiaia e fiz questão de ir ao estádio para rever alguns amigos da crônica esportiva baiana que tinham vindo a Minas Gerais cobrir a partida de futebol. Antônio Vieira estava lá, como sempre tranquilo e modesto.

Jogamos conversa fora relembrando os bons tempos da Rádio Sociedade da Bahia, na época, pertencente ao megaempresário Pedro Irujo. Jamais militei na área esportiva radiofônica, mesmo porque, nada entendo de futebol, e sim no jornalismo/programação nas emissoras por onde passei. 

No entanto, pela proximidade dessas atividades profissionais, estava sempre em contato com a turma do esporte. O comentarista esportivo chegou a reclamar que a tradicional emissora havia perdido credibilidade após ser assumida pelos vendilhões da fé e que seus profissionais já não trabalhavam com o mesmo entusiasmo de outrora.

Mesmo assim, ainda a era a única rádio AM de Salvador de maior audiência nas transmissões esportivas. Antônio Vieira foi um exemplo de ser humano e profissional da mais alta qualidade.

Deixa seu nome escrito nas páginas das grandes jornadas esportivas, já que tem no curriculum participações até em cobertura de Copas do Mundo pela Rádio Sociedade da Bahia. Descanse em paz, caro speaker.
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Outra nota triste


Trata-se, no mínimo, de uma tremenda falta de bom senso quando diante do aviso de uma nota de falecimento postada no Facebook, a maioria das pessoas do círculo de amizade de quem colocou a informação sobre a perda de um ente querido clique no ícone “curtir”, cujo polegar para cima indica “positivo”.

Os mais sensíveis e esclarecidos deixam um breve comentário de condolências, enviam curta e objetiva frase pelo “inbox” expressando seu sentimento ou, em última instância, simplesmente nada dizem.

Esperam passar aquele momento tão comovedor para sutilmente mostrar ao missivista que não ficou imune ao sofrimento alheio. Externamos aqui nossos mais sinceros e profundos pêsames à família da nossa grande amiga Selma Quintão pelo falecimento de seu irmão, Celson Tadeus de Lima (na foto ao lado dela), de 53 anos.

Celson era filósofo formado pela Universidade Federal do Amazonas. Morava em Governador Valadares, no Leste de Minas, onde atuava como comerciante. Há pouco mais de uma semana ele foi submetido a um pequeno procedimento cirúrgico, com expectativa de rápida recuperação. Acabou, no entanto, vitimado por um infarto fulminante.

Deixa esposa, três filhas e centenas de amigos. Que Celson Tadeus descanse em paz e a família dele tenha força suficiente para suportar a dor irreparável. 

Numa de suas últimas notas na página intitulada Zig-Zag Palavras Trocadas, criada por ele no Facebook para postagens de crônicas e textos literários relevantes, o filósofo escreveu:

Maturação humana é ter uma existência tranquila e equilibrada, uma harmonia que sabe ligar o pensamento positivo em polos de negação de estados normais, porém negativos, que fazem parte do nosso cotidiano. De que maneira refletir, com prudência, as intensidades orais de espíritos ocos e destituídos, que mesmo assim, lançam como naturais seus rituais vazios? 

No final das mensagens que trocava com amigos e demais contatos, Celson deixava sempre seu indefectível bordão: "Abração, saúde e até mais vê."

Celson Tadeus de Lima —  1962 / 2015