domingo, 12 de abril de 2015

¿Por qué no te callas, Ed Motta?


Por Marcos Niemeyer


>> Absolutamente inaceitável a declaração do muti-instrumentista Ed Motta ao criticar um grupo de brasileiros que pediu para que ele cantasse em português, durante uma de suas apresentações na Europa.

“Não tem músicas em português no repertório, eu não falo em português no show, preciso me comunicar de forma que todos compreendam, o inglês é a língua universal, então pelo amor de Deus, não venha com um grupo de brasuca berrando Manuel porque não tem, e muito menos gritar fala português, Ed”  escrachou numa postagem em sua página no Facebook.

Ed Motta exagerou na dose (e não é a primeira vez que o cabra faz declarações absurdas). Tim Maia, tio dele, jamais cometeria algo dessa natureza.

Apesar do “pavio curto”, o “síndico” era , talvez, o único cantor expressivo capaz de se apresentar (mesmo com seus indefectíveis atrasos e xingamentos) numa casa noturna luxuosa da Zona Sul carioca e partir em seguida para uma boate suburbana do Rio. E sempre recebido sob aplausos de ambas as partes.

Ed Motta, artista de grande talento, parece, porém, não ter bebido na mesma fonte do tio. O cantor tem se tornando uma figura cada vez mais antipática diante da opinião pública por conta de seu falatório dispensável. 

É preciso, pois, que o mesmo reveja com urgência seus conceitos sob pena de ter a credibilidade maculada até mesmo no exterior, onde se apresenta com frequência. 

Após receber uma enxurrada de críticas nas redes sociais, o artista tentou se redimir diante da cagada que havia feito publicando uma nota em sua página virtual. 

“Ninguém erra? Sim todo mundo erra, e em diferentes escalas, a pessoa pública não é Deus, está no mundo para errar assim como todos. A forma que escrevi muitas coisas eu mesmo repudio, mas é fruto da minha cabeça lotada de revoltas, decepções na arte, paranóias, etc, que  fazem-me entupir de um monte de remédios para ansiedade, depressão. Não estou me vitimizando, estou me abrindo com vocês, porque assim como não tenho medo de me expor escrevendo merda, não me amedronto por minhas fraquezas que não são poucas. Depois que se erra, existe um preço a pagar e eu sou completamente ciente disso. Escrevi de forma raivosa e equivocada sobre algo que realmente atrapalha meus shows no exterior, quando se está no palco que é algo frágil emocionalmente, a sensação é de desespero quando ocorre um equívoco. Peço desculpas a todos que se sentiram ofendidos com minhas frustrações. Peço a Deus que eu não repita algo do gênero.”

Que o caso sirva de lição não só para Ed Motta. Figuras públicas, como é o caso dos artistas (não são todos, obviamente), deveriam demonstrar mais humildade e jogo de cintura diante do público. Afinal, o que seriam deles sem seus fãs e admiradores?

Se estão aí, ricos e famosos, devem agradecer a quem ouve e compra seus discos e DVDs, assistem aos programas que participam nas TVs, comparecem aos seus shows, enfim, o público é o principal e diretamente responsável pelo sucesso ou não desses nomes que ocupam a todo instante as manchetes midiáticas. 

Tentar provar o contrário, é impossível. Se antes os destemperados usavam certos setores da mídia para falar impropérios (e praticamente não havia como contestá-los) hoje, como bem sabem, existe a internet (o meio de comunicação mais democrático surgido na história da humanidade) para resposta imediata do público.

Pensar antes de falar e ofender, nunca se fez tão necessário. Ed Motta é excelente compondo, cantando e tocando instrumentos musicais. O mesmo não se pode dizer de suas declarações virulentas que costuma postar no Facebook
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