quarta-feira, 1 de abril de 2015

Dupla gay agita busão que fazia a linha Juiz de Fora/ Rio


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Nas constantes idas que faço ao Rio de Janeiro costumo deixar meu modesto automóvel em casa e utilizar os ônibus da empresa Util — já que evito descer a Serra de Petrópolis, atravessar a sempre congestionada e perigosa Linha Vermelha (onde arrastões e tiroteio entre traficantes e policiais acontecem num dia sim e no outro também) ou pegar a problemática Avenida Brasil dirigindo.

Modernos, confortáveis e com passagem a um preço justo (não chega a 50 mirréis) o usuário encontra — além de dezenas de horários 24 horas por dia — opções em alguns coletivos da empresa no sentido Juiz de Fora/ Rodoviária Novo Rio/ Galeão/ Barra da Tijuca.

Na última quarta-feira (25) embarquei-me na rodoviária de Juiz de Fora por volta do meio-dia, com previsão de chegada ao Rio três horas depois.

Tão logo o busão entrou na BR-040, uma dupla de homossexuais que viajava nas poltronas 15 e 16 passou a se beijar, trocar carícias e contar em voz alta suas peripécias sexuais, indiferentes aos olhares de espanto dos outros passageiros.

A lotação do ônibus estava completa. Crianças e pessoas de idade se faziam presentes. Mesmo assim, o par de gays não sossegou o facho. Diante daquela situação constrangedora e dispensável, o motorista foi avisado de que algo "anormal" estaria ocorrendo na parte superior do coletivo de dois andares. Ato contínuo, parou o ônibus no acostamento e de maneira educada dirigiu-se aos protagonistas da cena.

— Prezados cavalheiros! Não me levem a mal, mas diante das queixas recebidas e em nome dos bons costumes, venho obtemperar-me diante dos senhores para que mantenham o respeito devido durante nossa viagem. Como todos bem sabem, as normas da empresa não permitem esse tipo de procedimento afetuoso ou conduta inadequada no interior de seus veículos. Entendo e respeito a orientação sexual de ambos, mas tenham, por obséquio, um pouquinho mais de paciência. Daqui a pouco estaremos no Rio e aí os senhores vão poder aproveitar melhor a vida.

— Nooooossa, que horrorrrrr! Não podemos acreditar que em pleno século XXI ainda existam pessoas homofóbicas e que não aceitam a diversidade sexual. Que absurdo! Vamos processar essa empresa — disseram em tom de ironia.

Sem perder a calma (diferentemente de alguns passageiros que pediam a retirada dos dois cabras do interior do coletivo), o motorista foi, porém, incisivo.

— Diante do deboche e da falta de respeito dos senhores para com os demais passageiros, vou dar-lhes um ultimato: ou cessem essas atitudes bestiais dentro do ônibus ou serei obrigado a parar no posto da Polícia Rodoviária Federal e entregá-los aos agentes da PRF. A ameaça do motorista surtiu efeito.

A dupla problemática tratou de ficar quietinha até o desembarque na Rodoviária Novo Rio, onde desceu de mãos dadas e seguiu pelas escadas rolantes entre beijos e abraços.

Episódios dessa natureza são cada vez mais comuns, principalmente nos grandes centros urbanos. No entanto, se por um lado exige-se direitos e respeito em prol de uma determinada causa, por outro necessário se faz que a recíproca seja verdadeira. Manifestações públicas de carinho e afeto devem ser aceitas desde que dentro dos padrões normais de civilidade. Fora isso, tornam-se uma aberração, um autêntico despropósito.

Para evitar ser taxado de "homofóbico", surpreendido com xingamentos ou até mesmo supostas ameaças de processo, quero deixar bem explicado que nada tenho contra a preferência sexual de quem quer que seja. Afinal, cada um faz da sua vida o que bem entende, cada um come o que gosta, ninguém tem nada com isso.

Porém, quem quer "incendiar" suas fantasias sexuais que procure locais adequados para botar lenha na fogueira. Motéis, hotéis, o próprio local onde mora, etc. Entre quatro paredes vale tudo. Do lado de fora, não faz sentido. Ninguém é obrigado a tolerar os excessos alheios.

Outro caso desconcertante ocorrido dentro de um ônibus foi por mim presenciado em Salvador numa tarde de verão, de 1985. Na altura do Mercado Modelo, um nativo afrodescendente no mais autêntico estilo rastafári embarcou no coletivo que fazia o trajeto Federação/ Igreja do Bonfim. Para surpresa da galera, a figura resolveu revelar em público seu mais desembestado e excêntrico desejo sexual.

— Ai, que vontade de comer um cu! Disse com vozeirão impostado, tipo locutor de FM breganeja. Indignados, todos os passageiros (inclusive, eu) voltaram os olhares para ver de onde vinha tamanho atentado contra a ordem estabelecida. Sem mais delongas, o sujeito completou: — Eu disse um só!
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