sexta-feira, 1 de maio de 2015

O triste fim da Guarani FM


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
facebook/


>> O melancólico fim da Guarani FM de Belo Horizonte entra para a história como um novo e duro golpe contra a radiodifusão brasileira. A última transmissão da emissora ocorreu durante esta quinta-feira (30) e foi bastante comentada nas redes sociais — sobretudo na página Fica, Guarani FM — criada por ouvintes da frequência, como ato de desagravo. 

Conforme havíamos informado, uma das mais tradicionais FMs qualificadas do país cuja programação tinha por base A MPB, o Pop, o jazz, flaschback, a música clássica e agenda cultural com os melhores roteiros artísticos de Belo Horizonte, Minas e do Brasil, além de jornalismo com informação relevante, seria assumida ao primeiro minuto desta sexta-feira (01) pela "Rede Gospel — Feliz FM", sediada em São Paulo e que tem no comando o controvertido fundador e presidente da comunidade cristã "Paz e Vida", pastor Juanribe Pagliarin, figura conhecida por suas pregações exaltadas nos cultos evangélicos.

Emocionada, a equipe de locutores e produtores da 96.5 postou um vídeo de despedida no YouTube agradecendo aos milhares de ouvintes dos mais diferentes pontos do país e até do exterior (salvo exceções, o público abrange a faixa etária acima dos trinta anos).



Como radialista profissional, com atuação durante cerca de trinta e cinco anos em diversas emissoras brasileiras (cheguei a fazer teste na Guarani no início da década de 80, não sendo aprovado porque tropecei a língua ao pronunciar o nome da música "You've Got To Hide Your Love away", dos Beatles, e o diretor de programação cismou que eu "não sabia" falar inglês recomendando que este aprendiz de cacarejador voltasse numa outra oportunidade), confesso que estou constrangido e envergonhado diante da situação por que passa aquele que já foi considerado o mais importante meio de comunicação do Brasil.

Profissionais mal pagos, gente incompetente atuando no setor, vendilhões da fé e políticos usando e abusando do sistema e uma perda acentuada de audiência por conta das avançadas tecnologias disponíveis fazendo com que as novas gerações não cultivem o hábito de ouvir rádio a exemplo dos tempos passados.

Diante desses e de outros graves fatores, conheço inúmeros radialistas de reconhecido talento (muitos deles meus amigos) que estão desempregados e alguns até passando necessidade. Triste ser obrigado a falar algo que eu jamais gostaria. Mas, infelizmente, é a mais cruel das verdades no meio radiofônico brasileiro.
.