quarta-feira, 27 de maio de 2015

Profissão: mendigo!


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Com três filhos formados em Direito pela UFJF e proprietário de várias casas de aluguel no bairro Vitorino Braga, em Juiz de Fora, Juvenal Coelho dos Santos, o "Sêo Colé", de 85 anos, é o mais tradicional e conhecido pedinte da cidade. 

Diariamente, ele se instala em um ponto estratégico da agitada Avenida Rio Branco e repete centenas de vezes a mesma frase: "Dá uma esmolinha, pelo amor de Deus!" O distinto exerce o "ofício" há mais de seis décadas. 

Todas as tentativas da família em fazê-lo botar um ponto final na mendicância dão com os burros n'água. "Sei que não preciso pedir, faço porque gosto, é divertido", afirma o sorridente Sêo Colé.

Dezenas de outros pedintes circulam todos os dias pelas ruas de Juiz de Fora. Atrás do dinheiro "fácil", fazem de tudo na tentativa de impressionar: usam roupas rasgadas, geralmente tem cara de "coitados", mulheres novas com crianças no colo abordam motoristas nos sinais de trânsito e (pasmem!), alguns usam até cadeiras de roda mesmo sendo capazes de andar com as próprias pernas.

Essas e outras artimanhas transformaram a mendicância em profissão  ou seja, não se trata de miseráveis que não encontram outra forma de sobreviver, como é o caso do Sêo Colé. Espertos, costumam marcar presença em diferentes pontos da cidade.

Muitos conseguem faturar mais de um salário mínimo por mês e se consideram "honestos" porque simplesmente pedem e não roubam. Como mendicância deixou de ser contravenção penal, eles se multiplicam feito rastro de pólvora por todo o Brasil. 

Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o promotor de justiça, Marco Aurélio Nogueira, tomou uma atitude inédita: cadastrou 836 pessoas que pediam dinheiro nas ruas sem precisar e as processou por "perturbação da tranquilidade", contravenção com pena prevista de quinze dias a dois meses de detenção.

"O objetivo não era prender ninguém, mas inibir os farsantes, o que conseguimos fichando essas pessoas na delegacia", ressalta. Está provado que dar esmola na rua é contribuir com a vadiagem.
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