domingo, 28 de junho de 2015

Barrigada imperdoável


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Com a internet fora do ar e de posse apenas de um celuloso jurássico que mal acessa o "Feice Buque", recebi na noite da última quinta-feira (25) a informação de um contato "confiável" sobre a "morte" do compositor e flautista Altamiro Carrilho.

Como sempre faço em ocasiões dessa natureza envolvendo alguma personalidade de fato, notável, postei um comentário na rede social lamentando a "perda". Acontece, porém, que o artista morreu mesmo em 2012, há três anos portanto. Estudioso da história da música brasileira, jamais poderia ter-me incorrido em tal falha . 

Minutos depois de postar a nota, que chegou a ter várias "curtidas" e comentários — inclusive, do remetente da façanha que carimbou sua mensagem com um "emotion" lacrimoso — é que fui dar conta do imperdoável equívoco cometido. Afinal, ninguém morre duas vezes.

No jargão jornalístico, notícia com tais características é conhecida como "barrigada", matéria falsa ou errada publicada com grande estardalhaço. Algo considerado como fato "gravíssimo" nas redações midiáticas.

E não é pra menos, jornalista que se preze não pode inventar notícia e nem tampouco ser tão desinformado a ponto de informar o falecimento de uma figura pública que partiu deste mundo cão já faz tempo.

Como fatos publicados na linha do tempo costumam ganhar amplitude de acordo com seu grau de importância, logo o caso foi compartilhado por inúmeros internautas. Quando consegui deletar a besteira que havia escrito, observei alguns comentários inusitados.

"Que Deus o tenha, morreu jovem", escrevinhou uma leitora de Belo Horizonte (o flautista tinha 87 anos quando faleceu); "Minha tia vai ficar triste, ela gosta muito desse artista", disse um contato do Recife, em Pernambuco; "Vou falar sobre a morte dele no meu programa desta noite na FM", rabiscou um radialista de Ilhéus, na Bahia. 

O mais impressionante foi o relato de um internauta de Londrina, no Paraná. "Que pena, logo agora que estávamos pensando em trazê-lo aqui para uma apresentação no Teatro Municipal. Cheguei a falar com Altamiro Carrilho por telefone na semana passada. Ele estava alegre e disse que queria muito vir aqui." (Esse cabra é mentiroso!).

Mais cautelosos foram meus amigos Manoel Roxo e Marília Sá ao me alertarem, respectivamente: "Um colega acaba de me confirmar que ele morreu tem três anos", "Marcos abra teu zói, Altamiro morreu em 2012, você bebeu?"

Após apagar a postagem, despachei em caráter de urgência uma mensagem ao responsável pelo envio da nota inbox. O distinto é "músico" e estudante de Direito da UFJF.

— Porra cara, cê tá querendo queimar meu filme, onde foi que sua pessoa arrumou este cacete armado?

— Mas os músicos estão falando sobre isso lá no Rio, pra mim é verdade, respostou.

O dito cujo só não disse quais os músicos que teriam falado sobre a "barrigada". Ficam aqui meus sinceros pedidos de desculpa aos amigos e demais contatos que leram a nota.

Daqui pra frente vou ter mais cuidado ao filtrar notícias enviadas por alguns "amigos" antes de postar e fazer comentários nas redes sociais. Luz, paz e boas sonoridades para todos.
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