quarta-feira, 24 de junho de 2015

O caso da rola


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> A resposta inusitada do jornalista Ricardo Boechat, da Rede Bandeirantes, para que o vendilhão da fé Silas Malafaia “procurasse uma rola” continua gerando reações na internet.

Tudo começou há pouco mais de semana, após o jornalista criticar em seu programa radiofônico/ Band News FM, líderes evangélicos que espalham discursos de ódio, dizendo que alguns deles têm parcela de culpa na recente onda de crimes contra outras crenças religiosas.

Ato contínuo, Malafaia disse no Twitter que Boechat estaria falando asneira. "Verdadeiro idiota” quando disse que os pastores incitam os fiéis a praticarem a intolerância”, e o desafiou para um debate ao vivo. Após a provocação do Mala, Boechat ejaculou a resposta que transformou-se num dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

”Você gosta muito de palanque, seu otário; não tenho medo de você, você é homofóbico, uma figura execrável e que toma dinheiro das pessoas a partir da fé, paspalhão, pilantra, não me enche o saco, vai procurar uma rola.”

Confira o áudio:



Malafaia subiu nas tamancas garantindo que levará o caso à Justiça. Como em todo ramo de atividade, a religião tem bons e maus elementos. Silas Malafaia se encaixa perfeitamente no segundo caso.

Falastrão e midiático, não perde a oportunidade de comprar briga com desafetos e causar polêmica diante da opinião pública. Milionário, tem até  jato particular para se deslocar com facilidade pelos céus do Brasil.

Se o distinto agisse com prudência e evitasse abrir o bico para falar asneiras, certamente não precisaria ser instruído a procurar uma rola. Escreveu, não leu o pau comeu.

Por outro lado, confesso que jamais tinha ouvido um jornalista usar expressão de tal natureza e ao vivo, ainda mais num programa de grande audiência. A democracia permite essas coisas.

Me lembrou um fato, mesmo que em outras circunstâncias, ocorrido por volta de 1987 dentro de um ônibus que fazia a linha Federação/ Bonfim, em Salvador, na Bahia, após um nativo afrodescedente no mais autêntico estilo rastafári embarcar no coletivo, na altura do Mercado Modelo.

Para surpresa da galera, a bizarra figura resolveu revelar em público seu mais desembestado e excêntrico desejo sexual. “Ai, que vontade de comer um cu!” — disse com vozeirão trovejante, tipo locutor de FM breganeja.

Indignados, todos os passageiros voltaram os olhares para ver de onde vinha tamanho atentado contra a moral e os bons costumes. Sem mais delongas, o cabra completou: “Eu disse um só!”
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